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Capítulo 4: silêncio da geada

  Capítulo 4: O Silêncio da Geada

  O território do Cl? Nishigaki sempre foi conhecido pelo ar puro das montanhas e pela resiliência de seu povo sob o comando de Hiroto e Sayuri. No entanto, nos primeiros quinze dias após o desaparecimento de Yami, o ar tornou-se denso, n?o de neve, mas de incerteza.

  O Isolamento come?ou sem que uma única flecha fosse disparada.

  Shinji, o Rei de Copas, n?o era um homem de exércitos barulhentos. Ele era um tecel?o de narrativas. Do alto de uma colina que vigiava a fronteira, ele permanecia sentado em posi??o de lótus, seu Núcleo emanando ondas imperceptíveis de energia que distorciam a percep??o de quem se aproximava.

  — "O medo é a arma mais afiada que possuímos," — murmurou Shinji, fechando os olhos enquanto coordenava seus mensageiros e espi?es.

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  Nas fronteiras, as rotas comerciais foram cortadas uma a uma. Mercadores que abasteciam o cl? com gr?os e suprimentos médicos eram interceptados por figuras encapu?adas. Eles n?o eram mortos; eram convencidos. Shinji utilizava seu Núcleo para projetar imagens de morte e pestilência, sussurrando nas mentes dos civis vizinhos que o "Vírus de Entropia" de Yami já estava consumindo o cl? por dentro.

  Em menos de uma semana, os Nishigaki tornaram-se párias. O mundo lá fora os via como uma ferida aberta que precisava ser cauterizada.

  Dentro das muralhas do castelo, Hiroto Nishigaki observava o horizonte. O gelo ao seu redor, geralmente cristalino, parecia opaco, refletindo seu estado de espírito. Ele sentia a press?o. O Núcleo de Shinji estava agindo como uma névoa que abafava a comunica??o com seus aliados Belmont.

  — "Eles est?o nos cozinhando em fogo baixo," — disse Hiroto para Sayuri, que estava ao seu lado. — "Ninguém entra, ninguém sai. E o povo está come?ando a sentir o peso da fome."

  Sayuri apertou o cabo de sua lamina.

  — "Podemos romper o cerco com for?a bruta, Hiroto. Se atacarmos os postos avan?ados do Baralho Real agora..."

  — "é exatamente o que o Shogun quer," — interrompeu Hiroto, o tom de voz calmo mas carregado de autoridade. — "Se abandonarmos a defesa para ca?ar fantasmas nas florestas, deixaremos nosso povo exposto aos Coringas e à retalia??o direta. Shinji quer que percamos a paciência. Ele quer que o ódio nos torne pesados, assim como o Núcleo de Yami o tornou."

  Hiroto sabia que a guerra agora era mental. Ele precisava manter a dignidade de seu povo enquanto o mundo os chamava de monstros. Ele ordenou que as reservas de emergência fossem abertas e que o racionamento come?asse, mas sabia que era uma solu??o temporária.

  Enquanto o cerco se fechava, uma pequena sombra se movia pelos picos mais altos e perigosos da fronteira norte, onde nem mesmo os espi?es de Shinji ousavam patrulhar. Era o mensageiro de Hiroto, um jovem shinobi cujo Núcleo era focado em supress?o de presen?a.

  Ele carregava o pergaminho com o selo de sangue destinado a Ryuka. Seus pés mal tocavam a neve, mas ele sentia um olhar gélido em sua nuca. Longe, em um frame que o olho humano n?o captaria, Hayate, o Rei de Espadas, observava o movimento de cima de uma árvore centenária.

  Ele n?o impediu o mensageiro. Ele apenas sorriu. O plano do Shogun incluía que a notícia chegasse até ela. O sofrimento dos Nishigaki n?o seria completo se todos os membros da família n?o estivessem presentes para o final.

  ---

  O vento que soprava sobre o território Nishigaki já n?o carregava o frescor do inverno, mas o cheiro estagnado do isolamento. As ruas da vila principal, antes vibrantes com o comércio de minérios e seda, agora estavam desertas. O racionamento de comida come?ava a esculpir olheiras profundas no rosto dos civis. O medo, alimentado pela propaganda de Shinji, o Rei de Copas, come?ava a se transformar em algo mais perigoso que a fome: a dúvida.

  Nas tabernas e lares, o sussurro era um só: "Por que estamos sangrando por um herdeiro que nos trouxe a destrui??o?"

  Alheio ao caos político, no topo da colina mais alta do castelo, o Conselho dos Gr?o-Mestres Nishigaki se reunia em uma sala onde o gelo das paredes parecia chorar. O silêncio foi quebrado pela voz rouca e ancestral de Ozoi Nishigaki, o anci?o cujo Núcleo já vira séculos de história.

  — "O Buda-sama veio conversar sobre o jovem Nishigaki," — anunciou Ozoi, seus olhos ba?os fixos em uma pequena estatueta de jade no centro da mesa. — "Ele enviou uma mensagem através do éter. O jovem Yami permanecerá no Nirvana por 90 dias. Já se passaram 20. O treinamento segue o curso, e Buda garante que ele retornará mais forte do que jamais foi visto nesta terra."

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  Um murmúrio de esperan?a e ceticismo percorreu os mestres. Setenta dias, naquele estado de sítio, pareciam uma eternidade.

  — "Além disso," — continuou Ozoi, sua express?o endurecendo — "o treinamento de Jason Belmont foi finalizado há cinco dias. Ele é nossa única ponte externa. Precisamos desesperadamente contatar os Belmont para coordenar uma resistência ou um corredor de suprimentos. Mas o caminho está bloqueado."

  O velho mestre suspirou, o peso da linhagem pesando em seus ombros.

  — "Kurogane n?o vai facilitar. O shogun colocou membros do próprio cl? no baralho; como devem saber, o sobrinho dele, Sabito Kurogane, é o atual Rei de Copas do Baralho Real. A conex?o entre a for?a bruta de um e a manipula??o mental do outro criou um nó que n?o conseguimos desatar. Nossa situa??o está longe de ser fácil."

  Hiroto, sentado à cabeceira, manteve as m?os unidas. A revela??o sobre Sabito era uma ferida aberta. O cl? Kurogane, outrora aliado, agora era a m?o que apertava o pesco?o dos Nishigaki.

  — "Se tentarmos contato via mensageiros terrestres, Shinji os capturará antes que saiam da nossa névoa," — analisou Hiroto. — "E se enviarmos sinais de Núcleo visíveis, Hayate os interceptará no ar."

  O conselho come?ou a tra?ar o mapa. Eles n?o podiam atacar, mas também n?o podiam mais apenas esperar. O plano come?ou a se desenhar: uma opera??o de distra??o. Eles precisavam de algo que for?asse os olhos de Sabito a se desviarem da fronteira por tempo suficiente para que um canal de comunica??o fosse estabelecido com Jason e o Mestre Ozu.

  — "Se n?o podemos enviar uma mensagem," — disse Sayuri, quebrando o silêncio com uma voz gélida — "teremos que fazer com que os Belmont venham até nós. Precisamos de um farol que o Baralho Real n?o consiga apagar."

  Enquanto os planos eram sussurrados no frio, a 70 dias dali, em espírito, Yami Nishigaki sentia o ódio em seu Núcleo ser lentamente substituído por uma clareza cortante. Ele ainda n?o sabia, mas o peso que ele carregava no deserto era o único peso que poderia equilibrar a balan?a de Peridot.

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  As rotas de superfície eram vigiadas pelos olhos onipresentes de Sabito e pela velocidade de Hayate, mas o solo sob as montanhas de Peridot guardava segredos que apenas os Nishigaki conheciam. Sayuri, liderando um grupo de elite de quatro shinobis, mergulhou na escurid?o dos antigos túneis de minera??o. O plano era arriscado: percorrer os veios de cristal subterraneos até as funda??es do Castelo Belmont, ignorando o bloqueio terrestre.

  O ar nos túneis era rarefeito e gélido, carregado com o cheiro de minério bruto. Sayuri movia-se na frente, seu Núcleo suprimido ao mínimo para evitar detec??o. No entanto, o Baralho Real n?o havia negligenciado o subsolo.

  A meio caminho da fronteira Belmont, em uma vasta camara onde cristais negros brotavam do teto como estalactites, uma luz dourada e artificial rompeu a penumbra.

  Bloqueando a passagem, sentado sobre uma rocha lapidada, estava um homem de armadura leve e olhos amarelados que pareciam brilhar com uma febre gananciosa. Ele portava uma lan?a curta com a ponta em formato de crescente.

  — "O Rei de Ouros me disse que os ratos tentariam os esgotos quando a comida acabasse," — disse o homem, sua voz ecoando com um tom metálico nas paredes da caverna. — "Sou Kaname, o Valete de Ouro. E daqui ninguém passa sem pagar o tributo em sangue."

  Sayuri n?o perdeu tempo com palavras. Ela sentiu a vibra??o do Núcleo de Kaname; ele manipulava o magnetismo das rochas ao redor. Antes que ele pudesse terminar seu sorriso sarcástico, Sayuri sacou sua lamina de gelo negro.

  O embate come?ou com uma explos?o de faíscas. Kaname saltou da rocha, sua lan?a movendo-se com uma velocidade magnética, atraída pelos minerais nas paredes para ganhar angulos impossíveis. Sayuri bloqueou o primeiro golpe, sentindo o impacto vibrar até seus ombros. O Valete era forte, mas ele cometera um erro: subestimou a fúria silenciosa de uma m?e que lutava pelo futuro de seu filho.

  Os shinobis Nishigaki se espalharam, cercando os flancos, mas Kaname golpeou o ch?o com a base da lan?a.

  — Estilo Ouros: Pulsa??o de ?mbar! — gritou ele.

  O ch?o de pedra tremeu, e os minerais ferrosos dentro do túnel come?aram a se erguer como lan?as naturais em dire??o ao grupo de Sayuri. A batalha nas profundezas acabava de se tornar um teste de reflexos e letalidade, onde um erro significaria ser empalado pela própria montanha.

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  A atmosfera no túnel mudou drasticamente. Sayuri, percebendo que a manipula??o magnética de **Kaname** tornava o terreno uma armadilha mortal, decidiu que era hora de revelar a face que o mundo havia esquecido. Ela n?o era apenas a esposa do líder Nishigaki; ela era a mulher que, anos atrás, havia incinerado campos de batalha inteiros na **Guerra de Estopins**.

  — "Forma??o Para-raios! Agora!" — ordenou Sayuri, sua voz cortando o som do metal contra a pedra.

  Os shinobis de elite se posicionaram em pontos estratégicos, cravando punhais de condu??o no solo e nas paredes. Em um instante, o ar ao redor de Sayuri come?ou a estalar. O gelo que emanava de sua pele evaporou sob o calor de uma eletricidade violenta e azulada. O título de Imperatriz n?o fora dado por sua linhagem, mas pela forma como ela governava a própria destrui??o.

  O combate escalou para um nível devastador. Kaname, o Valete de Ouros, movia massas de minério com o pensamento, criando escudos e projéteis magnéticos, mas Sayuri era um borr?o de luz. Ela se movia entre os shinobis como um raio saltando entre condutores, usando a energia deles para amplificar sua própria velocidade, desferindo golpes que deixavam o cheiro de oz?nio e carne queimada no ar.

  — "Você é rápida, Imperatriz... mas está em uma gaiola de ferro!" — gritou Kaname, fechando os punhos e fazendo as paredes do túnel colapsarem para esmagá-los.

  Sayuri percebeu que o tempo estava acabando. Se ela ficasse presa ali, o plano morreria com ela.

  — "Vá!" — ela gritou para o shinobi mais jovem, que estava mais próximo da saída Belmont. — "N?o olhe para trás! Entregue a mensagem a Jason!"

  O shinobi hesitou por um milésimo de segundo antes de disparar pela fresta que Sayuri abriu com uma explos?o elétrica. Aos outros três, ela deu a ordem final: — "Recuem! Alertem Hiroto sobre o bloqueio nas minas! é uma ordem!"

  Agora sozinha, Sayuri se entregou totalmente ao combate. O túnel tornou-se um inferno de faíscas e pedras voadoras. Ela e Kaname trocaram golpes que fariam qualquer ninja comum ser reduzido a pó. Sayuri demonstrou uma inteligência tática sublime, usando descargas curtas para desmagnetizar os projéteis de Kaname, enquanto o Valete utilizava a própria estrutura da montanha para criar bra?os de pedra que tentavam cercá-la.

  A luta se estendeu até o limite da exaust?o. Sayuri estava ferida, o uso excessivo do Núcleo de Raio após anos de desuso cobrava um pre?o alto em seu sistema circulatório. Kaname também estava ofegante, com a armadura de ouro estilha?ada em vários pontos, mas ele tinha a vantagem do terreno.

  Em um momento de guarda baixa, enquanto Sayuri preparava uma descarga final, Kaname utilizou um último truque: ele inverteu o polo magnético do próprio sangue de Sayuri, causando uma síncope súbita em seu sistema nervoso. A Imperatriz vacilou, e o Valete aproveitou a brecha, atingindo-a com um golpe preciso na base do cranio com o cabo de sua lan?a.

  Sayuri desabou. O silêncio voltou ao túnel, interrompido apenas pelo som da respira??o pesada de Kaname.

  — "Uma captura de nível Imperatriz..." — murmurou o Valete, limpando o sangue do rosto enquanto prendia Sayuri com algemas de inibi??o de Núcleo. — "O Shogun ficará satisfeito. Agora o gelo de Hiroto n?o terá escolha a n?o ser derreter."

  Kaname come?ou a arrastar a prisioneira em dire??o às profundezas controladas pelo Baralho Real, enquanto, do outro lado, o único shinobi sobrevivente emergia, ferido, nos limites das terras Belmont.

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