Agora, o quarteto caminha buscando circular pela base da montanha sem se aproximar do cerco que isola Kromslaing.
Yurgen e Carmen seguem na frente, enquanto Raisel e Jeanice est?o lado a lado. Coberta por um manto negro, a garota anda cabisbaixa e até de maneira corcunda.
Encarando-a de soslaio, o rapaz se sente desconfortável por n?o saber ao certo como se conectar com ela, ou melhor, até mesmo como conversar com essa pessoa.
Por isso, passa a observar o céu cada vez mais limpo e mais perto do fim da madrugada.
O silêncio o faz divagar pela cena de alguns minutos atrás.
Ao ter os olhos sobre o luar, a sua luz adentrava pelos buracos na cabana.
Lá dentro, Yurgen n?o se assustava com o tamanho da meio-elfa que, rapidamente, se inclinou com o mau jeito nas costas.
一 Nós estamos tentando encontrar Imoriel… Soubemos que ele apareceu pela última vez em Kromslaing. Queremos entrar lá por isso.
Com certa inexpressividade, a feiticeira encarava o velho. A sua rea??o de desespero, como a de poucos minutos atrás, n?o veio.
Ela portava um semblante calmo, mas um olhar que se abaixou. Como se revivesse outras memórias que, de certa forma, parecia aparar um pouco os espinhos do seu cora??o.
一 é-é muito perigoso… H-Há uma dezena de Cavaleiros e d-dois de Elite.
Apreensiva, ela une os palmos e entrela?a os dedos. Contudo, os polegares afiados deslizam um contra o outro. Para ela, ponderar sobre a ideia de invadir um local t?o bem protegido seria quest?o de tempo ao serem percebidos.
一 A-Além disso, ainda e-existem pessoas que f-ficaram lá… N-N?o sei como elas est?o, m-mas elas podem estar G-Gel?scht.
As falas da garota deixam claro para Yurgen e Carmen o que significava aquele termo. Afinal, eles parecem ter solu?ado ao mesmo tempo que ouviram aquilo.
Os olhos dourados de Raisel deslizaram até a ruiva ao lado. Ela, por sua vez, se aproximou da orelha do menino para cochichar.
一 Geloscht é quem teve o Glanz apagado, corrompido. S?o basicamente os Pag?os.
O menino acenou com a cabe?a brevemente após entender o que isso significava.
“Superar um cerco de Balmund e lá dentro procurar pistas, enquanto enfrentamos uma for?a que os próprios Reinos n?o conseguem extinguir… Parece realmente loucura de outro ponto de vista.”
Um suor escorreu da bochecha dele.
一 Nós vamos mesmo assim. Existem pessoas que queremos salvar… E entrar lá é a única escolha que temos.
Com essas palavras vindas do velho, toda a hesita??o palpável pelo ambiente veio a desaparecer. A nitidez dos seus objetivos, de todas aquelas pessoas, parecem iluminar parte da vis?o escura que tomou conta da perspectiva de Jeanice.
Ela os encara com admira??o.
一 Um deles é um meio-elfo, como você. Ele se chama Tejin.
Esse foi o ultimato para a garota.
“U-uma outra pessoa igual a mim…”
Aproximando o palmo para mais próximo do cora??o, um imperceptível sorriso se formou em seu rosto. O olhar dela se levantou em dire??o ao grupo.
一 E-Eu vou com vocês… P-Por favor, tenham p-paciência comigo.
Naturalmente, ela se curvou ainda mais. A postura dela já é horrível com as costas inclinadas, mas de alguma forma, essa atitude n?o foi acompanhada de violência. Pelo contrário, pela primeira vez, o palmo de alguém acariciou a sua cabeleira desbotada.
一 N?o se preocupe. Pode contar com a gente.
Nesse momento, ela parecia estar prestes a dizer algo. Mas engoliu as suas palavras. A mesma hesita??o doía o seu cora??o ao ponto de fazê-la estremecer levemente.
Portanto, ela apenas acenou com a cabe?a.
Raisel e Carmen se direcionaram para fora da cabana.
一 Se ela vai com a gente, como v?o ficar essas pessoas?
Ao fundo, era visível alguns camponeses entorpecidos pelos sonhos causados pela habilidade de Jeanice.
一 Acho que v?o despertar aos poucos, se reunir em volta da cabana até alguém resolver entrar. E depois…
De bra?os cruzados, a ruiva os observava com uma fei??o de quem sabe o que aconteceria quando pessoas têm o que acreditam ser seu retirado.
O menino, por outro lado, sentia um certo inc?modo.
“Para eles buscarem viver assim, significa que n?o resta mais nada… O vov? mentiu dizendo pra eles que n?o os tiraria do sonho…”
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Os lábios se contraem com certo desgosto.
Yurgen se aproximou dos dois ao sair da cabana.
一 Ela está pegando as suas coisas.
O homem também via os iludidos, mas diferente da espadachim ou do aprendiz, um sentimento diferente preenchia o seu peito.
Era inveja.
Lá dentro, Jeanice se despedia dos seus amigos nas prateleiras, pela cama e aqueles desenhados na parede.
一 D-Desculpa, pessoal… E-Eu vou voltar aqui pra pegar vocês.
Com uma varinha distorcida como se fosse repleta de ossos, articula??es, ligamentos e carne em uma colora??o negra na cintura, ela pegou um manto e se preparou para sair do quarto.
Porém, de frente para a porta, os seus pés n?o conseguiam ir além sozinha.
Hesitante. Essa é a palavra mais próxima para descrever a maneira como o corpo dela estremecia com a mera possibilidade de ser abandonada de novo. Seria o certo seguir essas pessoas?
“E-Eles n?o bateram em mim… N-N?o me chamaram de feia… De h-horrenda… De aberra??o… Todos eles conseguem b-brilhar t?o bonito… Será que eu…”
Apertando os punhos, as próprias unhas se fincam brevemente contra o palmo.
Ao encarar de lado, tinha uma espécie de gato com olhos de bot?es.
“Senhor Oddy…”
O palmo dela buscou a pelúcia como um vulto. Por baixo do manto, ela o segurava abaixo da axila.
Agora, os pés saem e ela caminha em dire??o a luz vinda do lado de fora da cabana.
Com o brilho do luar os acompanhando há alguns minutos, Raisel novamente desliza os olhos até Jeanice.
Porém, o som de algo explodindo e uma fuma?a subindo, fisgam a sua aten??o
“Isso veio…”
As sobrancelhas dele se contraem.
Instintivamente, ele busca a garota ao lado.
Ela parece ainda mais surpresa do que ele.
Desacreditada.
Ao virar-se para frente novamente, os dois adultos encaram com certa lamenta??o, mas conformidade.
“Eles sabiam que isso iria acontecer?”
A meia-elfa cai de joelhos.
Por baixo do manto, os bra?os dela seguram Senhor Oddy com ainda mais for?a.
O rosto dela se afunda contra a pelúcia.
Entre solu?os e ranho, o choro dela é silencioso.
Vê-la nessa situa??o, fez ele se lembrar de quando a Ruína caiu.
“Naquele dia, eu estava assim? N?o, talvez até pior…”
Por trás da jovem ajoelhada e abatida, Raisel se aproxima e encosta o palmo sobre o ombro dela.
O velho se abaixa do lado esquerdo e a ruiva do lado direito.
一 Desculpa, Jeanice… Mas deixar você lá seria pior. Pode contar comigo, com o Yurgen ou com o Ray… Estamos com você.
Os olhos de Carmen acolhem o olhar cansado e maltratado da meia elfa. Elas se encaram em silêncio e, aos poucos, a garota para de chorar.
Secando o ranho no manto, ela reúne for?as para se levantar.
一 O-Obrigada… Me desculpem p-por ser t?o fraca… N?o q-quero atrapalhar.
O velho sorri brevemente.
一 Fique tranquila. Nós também somos fracos… Afinal, a gente tá junto~
Com essas palavras, a ruiva discordaria se essa fosse uma situa??o normal. Entretanto, ela apenas suspirou como quem deixaria passar dessa vez.
O rapaz também sorri.
Retomando a caminhada, as luzes no fim da floresta morta próximo ao cerco est?o cada vez mais fortes.
Por outro lado, a cabana destruída pela revolta dos desesperados fica para trás.
Enquanto o trio caminha, Jeanice diminui os seus passos. Um respirar profundo marcou o início da sua resistência. Como eles, ela também queria brilhar.
一 Q-Quando eu era pequena, eu e-encontrei Imoriel…

