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Samuel abriu os olhos em um vazio profundo, sem qualquer dor ou ferimento. Um silêncio quase etéreo preenchia o ambiente ao seu redor. Ele olhava em volta, tentando entender onde estava, mas n?o havia respostas - apenas escurid?o e um estranho conforto, como se aquele lugar, apesar de desconhecido, o acolhesse.
Com passos hesitantes, Samuel come?ou a caminhar. A cada passo, o espa?o ao seu redor parecia ganhar forma, e, ao longe, uma pequena luz surgiu. Ele seguiu em dire??o a esse ponto brilhante, guiado por uma intui??o inexplicável. Quanto mais se aproximava, mais o lugar parecia ganhar vida. A escurid?o foi substituída por uma floresta deslumbrante, cheia de árvores robustas e um céu em tons de azul suave. O som de folhas balan?ando ao vento e o aroma de terra úmida enchiam o ar, tornando aquele lugar t?o real quanto qualquer outro que já havia visto.
No meio da floresta, uma cabana de madeira antiga repousava, escondida entre as árvores, como um segredo guardado pelo tempo. Samuel se aproximou devagar, observando cada detalhe. Na entrada da cabana, uma figura estava sentada, calma e contemplativa, admirando a paisagem ao redor. Parecia n?o perceber a presen?a de Samuel, ou talvez apenas n?o se importasse. A aura dessa pessoa era estranhamente familiar, irradiando uma paz que Samuel n?o sentia há muito tempo.
Ao perceber sua aproxima??o, a figura levantou o olhar e fez um gesto suave, convidando Samuel a se sentar ao seu lado. Samuel aceitou o convite, sentando-se em silêncio, como se o simples ato de se acomodar naquele lugar fosse o suficiente para aliviar o peso de suas memórias.
A figura ent?o falou, com uma voz profunda e enigmática:
— Sabia que, quando a noite cai e a natureza se esconde, esta floresta guarda segredos? Contos antigos, histórias que escapam ao entendimento de muitos, mas que permanecem vivas para aqueles que se atrevem a ouvir.
Samuel olhou atentamente para o homem, absorvendo cada palavra. Aquilo soava como um lembrete, uma verdade antiga que, de alguma forma, ele sempre soube, mas que o tempo havia apagado.
— Cada instante, cada fragmento de tempo, é parte de um fluxo contínuo. — continuou a figura — um ciclo em que vida e natureza se entrela?am. A essência do que somos se manifesta nas histórias que escolhemos acreditar, nas memórias que decidimos guardar.
A floresta ao redor parecia responder, com o vento dan?ando pelas folhas e o céu mudando de cor. Era como se o próprio tempo estivesse acelerando ali. No horizonte, o sol nascia e se punha, trazendo consigo o mistério de mil vidas e mil destinos.
— Você sabe que somos parte de algo maior, — a voz continuou, suave, mas firme — que, em algum lugar entre a vida e o sonho, residem aqueles que nunca foram esquecidos, mesmo que suas memórias estejam apagadas. E você, Samuel, é uma pe?a essencial dessa história.
Uma paz inexplicável invadiu o peito de Samuel. A presen?a daquele ser e suas palavras pareciam tocar algo profundo em sua alma, uma compreens?o que ele n?o conseguia explicar, mas que o acalmava.
— Este n?o é o seu fim — a figura disse, olhando para ele com um olhar sereno — Nem mesmo o come?o de seu verdadeiro destino. Há quem ainda espere por você. Quando abrir os olhos novamente, lembre—se de que seu caminho ainda tem muito a oferecer. Você é mais do que apenas um homem; você é a esperan?a, o guardi?o das lembran?as, e para todos aqueles que cruzarem seu caminho, será o herói dos esquecidos.
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A figura se levantou, caminhando lentamente em dire??o à cabana. Samuel ficou para trás, absorvendo cada palavra. Ele observou o céu mudando, as cores dan?ando em tons quentes e frios, refletindo o ciclo eterno da vida. Ao fechar os olhos, uma paz tomou conta dele. Uma voz suave parecia chamá-lo, como uma brisa leve, convidando-o a voltar.
Com a consciência se restaurando, Samuel sentiu-se emergindo daquele mundo. Em um instante, tudo ficou escuro novamente, e ele foi se rendendo àquele chamado, até que abriu os olhos no mundo real. Ainda sentindo o eco das palavras que ouvira naquele sonho misterioso. Uma névoa suave de lembran?a pairava sobre ele, como se tivesse estado em algum lugar entre a vida e a eternidade. Ao perceber o peso quente ao seu lado, ele vira a cabe?a e vê Alex, seu pequeno companheiro, dormindo com o rosto ainda marcado por lágrimas. Com um movimento lento e cheio de carinho, Samuel ergue a m?o e passa os dedos levemente na cabe?a do filhote, que desperta com o toque suave.
Alex abre os olhos, e, ao notar quem estava acordado, seus olhos brilham de alívio e felicidade, refletindo uma emo??o que Samuel n?o via há tempos.
— Pai! — ele exclama, a voz carregada de emo??o, enquanto abra?a Samuel com for?a. Em seguida, sai apressado, chamando os outros: — Ele acordou! Samuel acordou!
Um turbilh?o de passos apressados se segue, e, em quest?o de minutos, a caverna enche-se com rostos familiares: o Alfa, Kuwabara, Lumaris, Sam, e Anne. A express?o de cada um era de pura alegria e alívio ao ver que Samuel estava bem.
— Viemos o mais rápido que pudemos — ofega Kuwabara, com um sorriso terno.
— Com a demora desses dois aí, nem parece que correram — provoca Lumaris, com um sorriso malicioso, apontando para Sam e Anne.
— é, né? — Anne rebate, rindo — Mas, afinal, quem disse que precisamos correr?
O Alfa interrompe com um tom gentil, mas firme: — Parem com isso, n?o é hora de discuss?es.
Anne e Lumaris fazem uma express?o de desculpas, enquanto todos se voltam para Samuel. O Alfa se aproxima com um sorriso sincero.
— E ent?o, como está se sentindo? — ele pergunta.
— Melhor do que nunca — responde Samuel, for?ando um sorriso entre a dor que ainda sentia.
— Estávamos realmente preocupados. Você se feriu bastante... Mas gra?as ao Kuwabara e aos outros curandeiros, conseguimos trazê-lo de volta. — diz o Alfa, colocando uma pata em seu ombro, em um gesto de apoio.
— Eu agrade?o... Mesmo. — responde Samuel.
Sam ent?o interrompe com entusiasmo: — Sabe, Samuel, foi incrível o que você fez contra os ca?adores! Mas me pergunto por que nunca contou para ninguém que tinha poderes.
— Eu já sabia! — exclama Kuwabara, com um ar orgulhoso, apenas para receber uma leve patada de Sam.
Samuel solta um riso fraco. — Eu tinha medo que, ao saberem que eu tinha poderes, me considerassem uma amea?a... Principalmente por causa da história com os ca?adores.
Lumaris se aproxima com ternura, tocando seu rosto com uma pata gentil. — Samuel, nada disso importa. Somos sua família. Você n?o precisa esconder quem você é de nós.
— Ela está certa, — acrescenta o Alfa — aqui, todos somos uma família. E uma família protege um ao outro.
Samuel tenta responder, mas, ao abrir a boca, ele sente as lágrimas escorrendo. Cada palavra, cada gesto ao redor parecia curar algo dentro dele que nem sabia que estava quebrado. Ele finalmente diz, com a voz embargada:
— Eu nunca pensei que poderia ter uma família de novo. N?o assim, onde eu pudesse realmente me sentir... em casa. Obrigado.
Ao verem a vulnerabilidade de Samuel, cada um se aproxima, envolvendo-o em um abra?o caloroso, criando um escudo de amor e prote??o ao seu redor. Anne sussurra suavemente: — Sempre estaremos aqui para você. Sempre.
Naquele momento, Samuel sentiu o verdadeiro significado de lar, de amor, de perten?a. Ao fechar os olhos, ele deixou que o calor da presen?a deles tomasse conta de si, sabendo que n?o estava mais sozinho.
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