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48. A Estrela do Fim

  O céu sobre o Coliseu n?o escureceu.

  Ele rachou.

  Um azul ciano profundo abriu-se como uma ferida viva na noite, e dela avan?ava uma única estrela, lenta, deliberada, grande demais para parecer natural. N?o caía. Observava. Cada metro que percorria parecia medir o mundo abaixo.

  A plateia sentiu antes de entender. O ar ficou pesado, elétrico, e os primeiros sussurros se espalharam como fogo em palha seca.

  O patr?o desceu ao centro da arena. N?o correu. N?o se apressou. Ficou ali, pequeno apenas em aparência, encarando a estrela como quem reconhece um velho problema.

  — "Senhoras e senhores, homens e mulheres..."

  sua voz ecoou, firme, com um toque de ironia cansada.

  — "Venho informar que o segundo apocalipse está a caminho."

  O Coliseu prendeu o f?lego.

  — "Procurem um lugar para se esconder. Levará alguns dias até que essa coisa chegue aqui."

  Ele deu de ombros.

  — "Quem quiser ficar para assistir às próximas lutas, esteja à vontade. Eu vou permanecer. E, se der merda…"

  Abriu um sorriso torto

  — "Consigo me esconder facilmente. Boa sorte a todos."

  Alguns riram. Outros choraram. A maioria apenas congelou.

  Logo ent?o, o patr?o voltou à sua sala, passos silenciosos. Pegou alguns papéis da mesa, folheou-os em um piscar de olhos e pigarreou, preparando-se para o anúncio.

  — "Coff… coff… Daqui a um dia teremos a próxima luta. Hm… interessante. Um velho amigo meu estará presente…"

  Um brilho perigoso cruzou seus olhos, frio e calculado.

  The tale has been taken without authorization; if you see it on Amazon, report the incident.

  — "Darvin Daemon. Um falso Nyxari. Contra… Vangloris. Um monstro anjo? Pensei que teríamos apenas um deste calibre no torneio inteiro. Fa?am suas apostas. Nos vemos amanh?."

  Ent?o ele olhou para Ribeiro.

  Diferente.

  Mais sério.

  — "Vou fechar a sala. Pe?o que saia."

  E desapareceu entre a matéria.

  Logo, ele se teletransportou.

  O caos explodiu.

  Gritos. Correria. Gente trope?ando, se empurrando, rezando para deuses que talvez já estivessem mortos. O céu ciano pulsava como um cora??o gigante prestes a bater forte demais.

  — verdade... T? devendo um cora??o de leviathan a Aqua... Já sei!

  Ribeiro ergueu as m?os.

  Portais come?aram a se abrir sob os pés de alguns espectadores, círculos de luz tremeluzente, levando pessoas para longe do Coliseu, para lugares seguros. Cada portal era um alívio… e uma gota no oceano.

  Ele parou.

  Respirou fundo.

  O poder vibrava ao redor dele, pedindo para ser usado sem limites.

  N?o era misericórdia, pensou.

  Era administra??o de danos.

  Sussurrou...

  — vento... Aqui lhe pe?o... Espalhe minha voz com seu poder...

  Terminou.

  — Eu posso salvar vocês!

  disse, a voz amplificada pelo vento

  — mas n?o vou salvar todo mundo.

  O silêncio que se seguiu foi pior que o panico.

  O cheiro de oz?nio queimou o ar. A estrela continuava avan?ando, indiferente. Ent?o o tom de Ribeiro esfriou, calculado como lamina bem afiada:

  — Quem quiser viver… se alie à Aqua, deusa da água.

  Um portal azul profundo se abriu à frente da multid?o, n?o luz comum, mas algo antigo, denso como mar noturno. Alguns hesitaram. Outros correram sem olhar para trás. Muitos recusaram.

  Orgulho.

  Fé.

  Desconfian?a.

  Eles ficaram.

  Ribeiro observou, sem interferir.

  A dívida com Aqua precisava ser paga, mas n?o à custa de tudo. Apenas aqueles que aceitassem o contrato seriam salvos. E Aqua, justa à sua maneira, (Provavelmente...) exigiria apenas algumas escamas do Leviathan, o suficiente para fortalecer sua influência, sem matar um tit?.

  Esperan?a e desespero dividiram a arena.

  Naquele momento, o mundo assistia a um semi-deus inferior decidir quem teria futuro. N?o por crueldade. N?o por bondade. Mas por escolha.

  Ribeiro manteve-se firme.

  E ent?o entendeu algo que nenhum poder absoluto ensina:

  Nem todo destino pode ser salvo.

  Nem toda m?o deve ser estendida.

  A Estrela de Zenerity avan?ava, inevitável.

  E cada decis?o tomada ali n?o ecoaria apenas no Coliseu...

  Ecoaria no próprio tecido do mundo.

  Fim do capítulo

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