O Coliseu estremeceu com o último movimento. A névoa, antes vibrante como uma tempestade presa, caiu em repouso, n?o paz, mas exaust?o. A criatura permanecia inteira em essência, mas sua forma tremulava, vacilante. Pela primeira vez desde o início, ela n?o se reconfigurava no mesmo ritmo. O caos que antes a sustentava agora parecia pesado demais para manter.
Askiel permaneceu no centro da arena, laminas baixas, peito controlado. Seus ombros subiam e desciam lentamente, n?o por cansa?o físico, mas pelo esfor?o mental de manter o foco. A multid?o prendeu o f?lego como se temesse quebrar o momento.
Era um silêncio que admirava e temia.
Foi ent?o que passos ecoaram.
O patr?o atravessou o anel com a compostura de alguém acostumado a manter ordem em meio ao impossível. Seus olhos viajaram da criatura contida até Askiel, e por um instante sua express?o vacilou. Havia orgulho ali, e pesar. As luzes do Coliseu refletiam nele como se quisessem arrancar decis?o de seu rosto.
Ele inspirou fundo antes de falar.
— "Mesmo que me doa realizar isso…"
Sua voz n?o tremeu, mas o peso dela era claro.
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— "N?o posso permitir que você ganhe, meu filho."
A multid?o pareceu estremecer, como se uma corrente elétrica percorresse a arquibancada.
— "Vitória para Askiel!"
A explos?o de som veio atrasada por um segundo inteiro, como se todos precisassem confirmar que ouviram certo. Ent?o o Coliseu rugiu: aplausos, gritos, nomes sendo chamados. N?o era festa vazia, era a rea??o coletiva a um limite que havia sido visto e ent?o rompido.
A ilus?o de que a criatura era infinita tinha sido quebrada.
E isso assustava tanto quanto encantava.
Askiel n?o levantou os bra?os.
N?o celebrou.
Seu sorriso foi curto, seco.
O tipo de sorriso que sabe que vencer e estar certo nem sempre s?o a mesma coisa.
Ele olhou para o patr?o, e algo passou entre eles — respeito militar, orgulho contido, e o reconhecimento de que aquela decis?o tinha dividido o peso entre ambos.
Nos bastidores invisíveis da arena, seres que via apenas sangue, memória e lei ficou imóvel, como se assistisse ao desfecho com olhos que ninguém podia ver.
No canto, Ribeiro finalmente soltou o ar que prendia. Ele apertou o mini-inseto no bolso, e o aparelho vibrou em resposta, satisfeito como um animal que reconhece uma ca?ada concluída. O brilho da arena suavizou ao redor dele quando a névoa repousou, n?o com violência, mas com rendi??o silenciosa.
N?o havia moeda.
N?o havia truque.
N?o havia milagre.
Só o inevitável.
Apenas vitória, conquistada, n?o dada.
E o Coliseu, por alguns instantes, acreditou que o mundo lá fora poderia esperar.
Fim do capítulo.

