Shade acordou com o vidro respirando sob suas costas.
N?o foi um despertar súbito. Foi uma retomada lenta de sensa??o, como se o mundo devolvesse seus sentidos em parcelas calculadas.
Calor.
Depois peso.
Depois dor.
O pulso continuava.
N?o t?o violento quanto antes. Mais… contido.
Ela virou o rosto. O ch?o estava opaco naquela regi?o, como se o vidro tivesse sido for?ado a se reorganizar. Havia marcas alongadas, trajetórias térmicas que n?o combinavam com o caos do resto do terreno.
— “Você n?o devia estar viva.”
A voz veio da direita.
Grave. Controlada. Sem surpresa exagerada.
Shade tentou se erguer. O corpo respondeu com atraso.
Algo estava a alguns metros, parado numa zona onde o calor parecia obedecer. N?o havia armadura no sentido comum. As placas vitrificadas e resíduos metálicos n?o o revestiam, faziam parte dele, como se algo que um dia fora equipamento tivesse sido for?ado a continuar existindo dentro do fogo.
No centro da massa ígnea, dois focos dourados mantinham forma.
— “Levanta devagar.”
A voz surgiu como vibra??o no ar aquecido.
— “O pulso n?o gosta de movimentos errados.”
Shade obedeceu.
Quando ficou de pé, sentiu o símbolo sob seus pés reagir outra vez.
Taken from Royal Road, this narrative should be reported if found on Amazon.
? TRA?O VITAL EM REAVALIA??O ?
A criatura inclinou levemente a massa de fogo.
— “Isso n?o é bom.”
— O que é isso?
— “Um mundo que n?o esquece.”
O foco dourado se deslocou até o ch?o.
— “E você fez ele prestar aten??o.”
A criatura deu um passo à frente. O vidro n?o ondulou.
Depois outro.
Nada.
Shade percebeu ent?o: n?o era resistência. Era compatibilidade.
— O que é você?
— “Hm… soldado do Conselho das Dez Luzes.”
O pulso mudou.
Dessa vez, o ch?o respondeu aos dois.
? DUPLA PRESEN?A REGISTRADA ?
ANOMALIA N?O ISOLADA
Dentro do fogo, algo estalou, um som seco, contido.
— “ótimo. Agora somos um problema conjunto.”
A criatura se virou, observando o horizonte de vidro como quem lê trilhas invisíveis.
— “Se ficarmos parados, ele recalcula.”
Uma breve pausa.
— “E quando recalcula, geralmente dói.”
— Você está sendo ca?ado?
— “Eu?”
Um deslocamento mínimo do calor, quase um riso sem humor.
— “Gra?as a você. A quest?o é por quanto tempo.”
Shade hesitou.
— Você… sobreviveu aqui antes.
N?o era uma pergunta.
O fogo permaneceu estável por alguns segundos.
— “Se n?o tivesse, você n?o estaria falando comigo.”
Nada mais.
O calor come?ou a se concentrar em bols?es irregulares ao redor deles. N?o ataques. Ensaios.
— “Se quiser continuar respirando, anda comigo.”
— Por quê?
A criatura já se movia quando respondeu:
— “Porque você n?o pertence.”
Um pulso mais intenso percorreu o vidro.
— “E isso chama aten??o demais.”
Shade seguiu.
O símbolo sob seus pés se alongou, tentando acompanhar.
? ECO EM DESLOCAMENTO ?
Um dos focos dourados baixou por um instante.
— “Ent?o é assim que ele te chama.”
— Como?
— “Eco.”
Eles caminharam em silêncio por alguns metros, desviando de zonas onde o vidro come?ava a vibrar de forma errada. Em alguns pontos, vapor subia em espirais finas. A criatura evitava esses lugares com cuidado quase instintivo.
— Posso te chamar de ca?ador ou o tal "soldado"?
O fogo se condensou levemente.
— “Kairn, me chama de Kairn.”
O pulso atrás deles se intensificou.
? PRIORIDADE DE CONTEN??O ?
Kairn acelerou o deslocamento.
— “Depois a gente conversa.”
O calor ao redor deles subiu.
— “Agora, a gente corre.”
O vidro respondeu.
E dessa vez, n?o era um teste.
Fim do capítulo 9

