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10. Casa de brasa - parte 1

  Hel?, meus caros leitores! ??

  Este capítulo vai ser mais tranquilo do que os outros, ent?o respirem fundo… e n?o se assustem se n?o houver explos?es ou gritos infernais por aqui.

  Ah, e sobre trilha sonora… eu realmente n?o sei o que recomendar dessa vez. Se vocês tiverem alguma sugest?o, manda aí! Vou adorar discutir com vocês, mesmo que, no fim das contas, n?o seja t?o importante assim. Quem sabe a gente descobre juntos a música perfeita para uma casa que sobrevive a 200°C?:3

  O crepúsculo espalhava-se de leve pelo vale incandescente quando Shade e Kairn deixaram para trás o turbilh?o da fuga. Atrás deles, passos apressados e respira??es ofegantes ecoavam, distantes, abafados pelo ar denso e quente. O caminho estreito entre as árvores conduzia a um silêncio pesado, quase desconfiado. Kairn caminhava à frente, as m?os espalmadas para conter a fornalha que ainda rezumava de seu corpo, mas havia em seu semblante um sorriso contido, quase brincalh?o — mas n?o totalmente confiável. Shade, atrás, sentia cada músculo vibrando, alternando entre o compasso frenético da luta e o ritmo lento do terreno escaldante.

  – Ent?o é por aqui, no fim das contas…

  disse Shade, quase para si mesma, observando o ar que tremeluzia sobre o ch?o negro.

  – Sem incêndios ou bestas famintas pelo caminho? Eu até queria comemorar, mas… n?o sei se o planeta aprova meus passeios desleixados.

  O sarcasmo dela n?o escondia a curiosidade, ou a cautela.

  Kairn olhou por cima do ombro, com um sorriso que misturava paciência e cálculo.

  – "O mundo é mais resistente do que você imagina, Shade. Mas também é imprevisível."

  Ela ergueu uma sobrancelha, desconfiada.

  – Nos estamos indo pra… onde exatamente?

  Descendo a colina suave, chegaram a um bosque onde o ar escaldante parecia vivo. As árvores ígneas, com troncos negros e folhas metálicas, absorvem o calor intenso do solo e irradiavam um calor que n?o queimava, mas mantinha os sentidos em alerta. Alguns ramos tinham veias translúcidas que brilhavam com luz metálica, repelindo efeitos mágicos e prevenindo qualquer dano extremo.

  Shade tocou um ramo, desconfiada:

  – Essas plantas… elas sobrevivem a sei lá... 200°? N?o queimam nem um pouco?

  – "Elas n?o só sobrevivem…"

  Kairn respondeu, desviando o olhar, como se cada gesto fosse medido.

  — Elas se alimentam do calor, e alguns ramos absorvem metais e minerais do solo chamados de lápis sigillis para refor?ar sua própria estrutura. é uma prote??o natural.

  O ch?o negro e flexível, coberto por um musgo escuro-azulado, parecia responder a cada passo dela, absorvendo peso e calor, mas de forma quase consciente. Shade n?o confiava totalmente na sensa??o de seguran?a, e Kairn parecia notar isso, sem se incomodar, apenas mantendo distancia suficiente para n?o revelar inten??es.

  à frente, a casa surgiu entre o nevoeiro quente, erguida sobre pilares de pedra negra. A madeira e os metais de sua estrutura pareciam fundidos com ramos encantados das árvores ígneas, moldados como se o bosque tivesse crescido junto dela. Janelas arredondadas exalavam um brilho alaranjado, mas n?o transmitiam calor agressivo. A casa respirava, vigiando os visitantes sem tocá-los.

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  – Uau…

  Shade murmurou, cautelosa.

  – Nada aqui parece… normal.

  Kairn pousou uma m?o breve sobre o ombro dela, rápido demais para ser reconfortante, mais como um teste.

  – "Para ajudar sua imagina??o: a lua, as estrelas e um céu noturno politeísta. Vê alguma ordem cósmica nisso?"

  — q foi doido… ?~?

  Shade respondeu, desconfiada e divertida ao mesmo tempo.

  Kairn sorriu, mas havia algo nos olhos dele que deixava claro que n?o se podia confiar totalmente em cada palavra.

  – Uma casa tranquila de montanha, acho que se encaixa no cenário.

  Ele observou o ambiente antes de entrar, com cuidado.

  – "Mas vá devagar na análise arquitet?nica, ou derruba todo o mistério."

  A porta de madeira maci?a rangeu suavemente sobre dobradi?as invisíveis. Assim que passaram, a claridade alaranjada do interior os envolveu. O ar exalava aromas mistos: ervas defumadas, madeira aquecida e ambar quente. A casa parecia viva, regulando o calor e a umidade com precis?o quase consciente. Shade manteve a m?o próxima ao seu bico, desconfiada até do próprio conforto.

  – Acho melhor limpar esse vapor…

  comentou, abanando-se levemente.

  – Se continuar desse jeito, vou reclamar que essa “sauna do mago” é desleixada.

  Kairn riu baixo, sem se aproximar demais.

  – "Você se acostuma."

  Ele disse, casual, mas seus olhos observavam cada gesto dela.

  – "A casa tem seu jeito acolhedor, mas n?o se engane. Ela também observa. Como tudo neste planeta distópico."

  O corredor era aberto, com tape?arias ondulando suavemente como se tocadas por uma brisa invisível. Shade tocou algumas folhas de plantas iridescentes: duras, metálicas, com veios brilhando, de agora descoberto lápis sigillis. O toque era seguro, mas ela permaneceu alerta, desconfiando de cada rea??o da casa, e de Kairn.

  – N?o me leve a mal, mas parece que essa casa aguenta até melancolia… e provavelmente sarcasmo também.

  Shade disse, de olhos estreitos, testando a rea??o dele.

  Kairn passou por trás dela, mantendo a distancia, mas apoiando o bra?o sobre o encosto de uma cadeira próxima:

  – Ela faz piadas sozinha quando estamos longe.

  Seu tom era leve, mas n?o totalmente confiável.

  – Ninguém aqui vai desabar de tédio. Mas hoje… ela está quieta, esperando nossa chegada.

  Shade tirou a capa, sentindo o tecido áspero ainda quente pelo suor e pelo calor do planeta. Ao deixar a capa sobre uma superfície que parecia absorver calor e peso, notou que secava quase instantaneamente. A mesa de jantar tinha chá fumegante e o que parecia ser biscoitos, mas Shade permaneceu desconfiada, observando cada detalhe da mesa e cada gesto de Kairn.

  – Você almo?ou demais ou achou que ia trazer visitas?

  disse, arqueando o cenho.

  Kairn apoiou-se no encosto de uma cadeira, mantendo distancia segura:

  – "Meus pais sabiam que você viria. Ent?o prepararam isso… mas n?o se engane. Mesmo aqui, n?o confie totalmente."

  Shade soltou um meio sorriso, mas manteve a m?o próxima ao bico.

  – Observa??o justa… (Qq ele falou ;-;? Ah, foda-se, vou fingir de fodona)

  murmurou por cima do ombro, fingindo calma.

  – Vou me divertir descobrindo isso com calma. Por enquanto, o calor n?o me incomoda mais do que a sua insistência em ser misterioso.

  Kairn deu de ombros, pegando algo para beber:

  – Chá de jakis?

  Shade assentiu, sem saber do que se tratava, mantendo um olhar atento a cada passo dele.

  Enquanto ele se movia pela cozinha, Shade observava as paredes com rodapés entalhados em desenhos sinuosos, e um voo de mariposas luminescentes lan?ando clar?es azuis pelo corredor. Cada detalhe sugeria vida e vigilancia. Ela sentiu que a casa sabia que eles estavam ali… mas n?o se podia confiar completamente nela.

  Shade respirou fundo, mantendo-se alerta, e permitiu-se apenas um instante de cautelosa curiosidade.

  Fim do capítulo 10, parte 1 :3, eu separei em duas partes para vocês n?o ficarem tipo... "Meu deus... 2500 palavras em um capítulo;-;... Que porra Tamashiro ;-;" bom, ela sairá amanh?, entre os horários de: 7-10 da manh?, ou 3-8 da noite, bom, t? curioso se vcs v?o gostar:3

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