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Capítulo 24: A Fronteira das Sombras

  A decis?o estava tomada. Deixaram para trás a seguran?a iluminada e a arquitetura harmoniosa da Academia Zenith e mergulharam no território selvagem que servia de fronteira n?o oficial entre os dois mundos. A transi??o foi imediata e inquietante. O ar, antes leve e vibrante, parecia agora mais denso, mais frio, como se a própria natureza soubesse que se aproximavam de um lugar profano.

  Rick ia na frente, os seus ombros largos a abrirem caminho pela vegeta??o rasteira e retorcida com uma confian?a inabalável que beirava a arrogancia. Moisés seguia-o de perto, os seus sentidos alerta, cada estalar de um galho sob os seus pés a soar como um alarme no silêncio opressivo. E, mais atrás, hesitante, vinha Maria. A sua velocidade, normalmente a sua maior arma e a sua express?o de liberdade, estava contida. Os seus passos, normalmente leves como o vento, eram agora incertos e pesados.

  Moisés abrandou o passo, deixando que Rick se afastasse um pouco, até ficar lado a lado com ela. Ele sentia a sua inseguran?a como uma onda fria, uma dissonancia perigosa na sinfonia da sua equipa. A sua confian?a era vital para o plano.

  "Maria, o que se passa?", perguntou ele, a sua voz suave para n?o quebrar a quietude. "N?o costumas ser assim."

  "Eu sei, eu sei", respondeu ela, sem o olhar, os seus olhos fixos no ch?o irregular à sua frente. "Eu só... estou com medo. é só isso." A sua voz era um sussurro. "O que aconteceu à 'Incurs?o Fantasma'... a história n?o me sai da cabe?a. Preocupa-me. Muito."

  Moisés parou de repente, o seu corpo a bloquear-lhe o caminho, for?ando-a a olhar para ele. Ele segurou-lhe nos ombros, a sua express?o séria, mas os seus olhos cheios de uma sinceridade inabalável.

  "Ei", disse ele, a sua voz firme, mas gentil. "Eu jamais te colocaria em perigo conscientemente. Vai tudo correr bem. Confia em mim, sim?"

  Antes que ela pudesse responder, ele puxou-a para um abra?o forte e seguro. Por um momento, o mundo desapareceu. O bosque amea?ador, a miss?o perigosa, o medo... tudo se dissipou. Havia apenas o som da respira??o dele perto do seu ouvido e a firmeza dos seus bra?os à volta dela. A sua ansiedade, que era um nó apertado no seu peito, come?ou a desatar-se. O medo ainda estava lá, uma brasa no fundo da sua mente, mas já n?o a paralisava. Foi substituído pela confian?a que ela tinha nele.

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  Ela afastou-se lentamente, e um pequeno, mas genuíno, sorriso formou-se no seu rosto. "Está bem. Confio."

  A voz de Rick, carregada de uma impaciência teatral, ecoou do topo da colina. "Vamos lá, pombinhos! Já estamos quase a chegar, deixem-se de lamechices!"

  Meia hora mais tarde, chegaram ao cume da colina e a vis?o que se estendia diante deles era de uma beleza terrível e imponente. Aninhado num vale de rocha negra e retorcida, o Crisol do Abismo parecia uma ferida na paisagem, uma cicatriz de malícia e poder. As suas torres de obsidiana, afiadas e angulares, perfuravam o céu como as garras de uma besta adormecida, e uma energia sombria e palpável pulsava do seu centro, como um cora??o doente.

  "Chegámos", disse Rick, a sua voz agora baixa e desprovida de qualquer brincadeira.

  O port?o principal, uma estrutura maci?a de ferro negro, era guardado por três figuras de armadura igualmente escura. As suas posturas estavam relaxadas, entediadas, a confian?a de quem se sente intocável na sua própria fortaleza. Perfeito.

  "Maria", disse Moisés, o seu tom a mudar, tornando-se frio e profissional. "Faz a tua cena."

  Maria assentiu, a sua hesita??o anterior completamente desaparecida, substituída por um foco letal. Ela tornou-se um fantasma. Num instante estava ali, no outro tinha desaparecido. Os três guardas nem tiveram tempo de registar a amea?a. Um borr?o azul e silencioso passou por eles, e um a um, os seus corpos caíram no ch?o como sacos de batatas, já inconscientes antes de sentirem o impacto. A precis?o dos seus golpes na nuca e na têmpora era cirúrgica.

  Rick avan?ou e, com três pancadas secas e calculadas com a ponta da sua bota na base do cranio de cada guarda, garantiu que eles n?o acordariam t?o cedo.

  "Bom trabalho, equipa", disse Moisés, aproximando-se dos corpos caídos.

  Ele fechou os olhos, concentrando-se. A luz dourada fluiu dele, um véu de poder que envolveu primeiro a si mesmo, depois Maria e por fim Rick. Quando a luz se dissipou, onde eles estavam, agora estavam três guardas de armadura negra, indistinguíveis dos que jaziam no ch?o.

  Rick, agora na forma de um dos guardas, olhou para as suas próprias m?os enluvadas com um sorriso satisfeito.

  "Vamos entrar, equipa."

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