A arena de treino, outrora um santuário de suor e progresso, transformara-se numa sala de guerra improvisada. Maria andava de um lado para o outro na sua frente, os bra?os cruzados firmemente sobre o peito, a sua energia habitual substituída por um nervosismo palpável que a fazia parecer uma gaiola com um animal selvagem lá dentro.
"Ent?o, qual é o plano genial para eu morrer novinha em folha?", perguntou ela, a sua voz carregada de um sarcasmo que mal conseguia esconder o medo genuíno por baixo.
Moisés sorriu, um gesto calmo e seguro que contrastava violentamente com a tens?o no ar. "Calma, Maria. Ninguém vai morrer." Ele olhou para ela, depois para Rick, a sua confian?a a envolvê-los como um manto protetor. "Eu vou proteger-vos."
"Está calado!", retorquiu Rick instantaneamente, dando um passo em frente e batendo com o punho no seu peito de diamante. "Aqui o tanque sou eu. A tua fun??o é seres o cérebro, a minha é garantir que o cérebro n?o é esmagado. Ouviste bem?"
"N?o há maneira de entrarmos ali, é completamente impossível", insistiu Maria, ignorando a troca de galhardetes. "As defesas deles s?o lendárias. Eles v?o detetar-nos a quilómetros de distancia."
"Tudo é possível quando trabalhamos juntos", disse Moisés, o seu olhar a tornar-se distante, focado numa ideia que acabara de surgir. "A propósito... sou capaz de ter uma ideia. Uma chave."
Ele fechou os olhos. Um zumbido subtil e de baixa frequência encheu o ar, uma vibra??o de energia pura que fez os pelos dos bra?os de Maria e Rick se arrepiarem. Quando Moisés abriu os olhos, uma figura etérea e translúcida de luz dourada pairava ao seu lado, visível apenas para ele.
"Malta", disse ele, com uma naturalidade desconcertante. "Eu apresento-vos o Guardi?o do Legado Dourado."
Rick e Maria olharam para o espa?o vazio ao lado de Moisés, depois um para o outro, completamente confusos.
"Moisés... com quem estás a falar?", perguntou Maria, hesitante, como se estivesse a falar com alguém que perdera o juízo.
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"Ele está a falar sozinho?", resmungou Rick, incrédulo. "Já enlouqueceu de vez."
Moisés riu-se, um som genuíno. "Ah, pois. Esqueci-me desse pormenor. Apenas aqueles com uma conex?o direta ao Legado Dourado s?o capazes de o ver e ouvir." Ele virou-se para a figura invisível. "Guardi?o, precisamos de um caminho invisível. Existe algum feiti?o, alguma arte antiga que nos permita ocultar a nossa presen?a?"
A voz do Guardi?o ecoou diretamente na mente de Moisés, profunda e ressonante. A luz pode ser uma arma, um escudo... ou um véu. O poder do disfarce é inato em todos os Magic Dourados. N?o é um feiti?o que se aprende, mas uma verdade que se manifesta. Concentra-te. Visualiza a forma que desejas assumir. Houve uma pausa. Mas aten??o. A tua mente só pode moldar a luz naquilo que o teu corpo conhece. A forma deve ter um registo, uma memória muscular. N?o podes ser aquilo que nunca foste.
"Entendi. Obrigado, Guardi?o", disse Moisés em voz alta. A presen?a cintilante ao seu lado desapareceu.
"Vamos disfar?ar-nos de quê, ent?o?", perguntou Maria, cética, ainda n?o convencida.
Em vez de responder, Moisés fechou os olhos. Uma luz dourada suave envolveu-o por um segundo, como seda líquida. Quando se dissipou, onde Moisés, com a sua constitui??o magra, estava, agora estava Rick. A mesma altura, a mesma massa muscular impressionante, a mesma express?o carrancuda. Era uma cópia perfeita.
"Ei, insolente!", gritou o verdadeiro Rick, apontando um dedo acusador para o seu duplo. "Volta já ao normal! Como ousas roubar a minha aparência magnífica?"
Com outro piscar de luz, Moisés voltou à sua forma original, um sorriso satisfeito no rosto. "Acho que temos o nosso plano."
Ele reuniu-os, a sua voz agora baixa e conspiratória, a delinear a sua estratégia.
"Primeiro: os guardas da entrada. Vamos neutralizá-los sem fazer um único som. Maria, a tua velocidade será a nossa lamina silenciosa. Segundo: a infiltra??o. Eu uso a minha nova habilidade de disfarce em nós os três. Tornamo-nos nos guardas que acabámos de derrubar. Terceiro: a busca. Uma vez lá dentro, procuramos qualquer registo de Magneus nos terminais de dados deles. Quarto: a saída. Entramos e saímos sem deixar rasto."
Ele olhou para os seus dois amigos, os seus olhos a brilhar com uma determina??o de a?o. "Pronto. Simples."
Rick cruzou os bra?os, mas um sorriso relutante e impressionado formou-se no seu rosto. "Parece-me um bom plano."
Maria olhou de um para o outro, da confian?a de Moisés para a aceita??o de Rick. Respirou fundo e soltou o ar numa lufada de resigna??o teatral.
"Vamos todos morrer."
E o plano está tra?ado! Uma miss?o de infiltra??o no cora??o do território inimigo. Adorei escrever a pequena demonstra??o de disfarce do Moisés. Acham que o plano "simples" deles vai funcionar, ou o Crisol do Abismo guarda mais surpresas do que eles imaginam?
Vemo-nos amanh? para a viagem até à fronteira!

