# Capítulo 19: A Cidade dos Olhos Vermelhos
O final da trilha se aproximava. Orpheus podia sentir isso na mudan?a sutil do ar, na forma como as árvores gigantescas come?avam a se espa?ar, permitindo vislumbres ocasionais de um horizonte distante pontilhado por torres góticas que pareciam perfurar o céu escuro. O grupo avan?ava em silêncio, cada um perdido em seus próprios pensamentos, quando uma figura familiar materializou-se diante deles como se tivesse emergido das próprias sombras.
Zack.
Seus olhos negros como po?os sem fundo contrastavam dramaticamente com a luz vermelha da lua que se filtrava através das folhas alaranjadas das árvores. N?o havia surpresa em seu rosto ao ver o grupo – como se soubesse exatamente onde estariam e quando chegariam.
Seu olhar, no entanto, fixou-se imediatamente em K.
"Você vai morrer," disse ele sem preambulos, sua voz calma e factual como se estivesse comentando sobre o clima. "Tobi já sabe quem você é. Mesmo que fuja, ele vai encontrá-la."
K sentiu um arrepio percorrer sua espinha. N?o era apenas o conteúdo das palavras que a aterrorizava, mas a certeza absoluta com que foram pronunciadas – como se Zack estivesse descrevendo algo que já havia acontecido, n?o uma possibilidade futura.
"Sua única op??o é ficar conosco," continuou ele, n?o como uma oferta de prote??o, mas como uma constata??o de um fato inevitável.
K engoliu em seco, consciente dos olhares do grupo sobre ela. Parte dela queria recusar, fugir para o mais longe possível deste homem cujo nome era sussurrado com terror em todo o mundo conhecido. Mas outra parte – a parte racional, a parte que havia sobrevivido como mercenária por tantos anos – sabia que ele estava certo. Se Tobi a havia marcado como alvo, suas chances sozinha eram praticamente nulas.
"Tudo bem," concordou ela finalmente, sua voz mais firme do que se sentia por dentro.
Orpheus, observando atentamente a intera??o, notou a tens?o evidente no corpo de K, a forma como seus olhos vermelhos evitavam contato direto com os de Zack, o tremor quase imperceptível em suas m?os.
"K," disse ele gentilmente, "você n?o precisa fingir. Se n?o quiser vir conosco, eu entendo."
A mercenária olhou para o garoto, surpresa com sua percep??o e empatia. Por um momento, considerou ser honesta – contar a ele sobre seu medo, sobre o que realmente sabia a respeito de Zack. Mas ent?o seus olhos encontraram os de Zack novamente, aqueles abismos negros que pareciam absorver a própria luz, e as palavras morreram em sua garganta.
"Está tudo bem," mentiu ela. "Eu vou com vocês."
Zack observou a intera??o com express?o neutra, ent?o disse algo que surpreendeu a todos:
"Só a chamei para o grupo porque Orpheus pediu," revelou ele, seu tom casual como se estivesse comentando sobre algo trivial. "Ele disse que você o ajudou na miss?o, que é forte e uma boa pessoa."
K piscou, genuinamente surpresa. Olhou para Orpheus, que parecia ligeiramente embara?ado, mas n?o negou as palavras de seu mestre. Algo dentro dela se aqueceu ligeiramente – n?o esperava que o garoto tivesse falado bem dela para Zack, muito menos que o temido Ca?ador dos Olhos Negros tivesse levado a opini?o de seu aprendiz em considera??o.
"Por que você está aqui?" perguntou ela subitamente, reunindo coragem. "Por que o Ca?ador dos Olhos Negros está no Continente Vermelho?"
Um silêncio pesado caiu sobre o grupo. Os idosos, Matheus e Loren trocaram olhares confusos – claramente, n?o conheciam esse título. Orpheus parecia orgulhoso, como se o apelido de seu mestre fosse motivo de honra, n?o de terror.
Zack estudou K por um longo momento antes de responder.
"Vim buscar algo que me pertence," disse ele finalmente. "E já que você faz parte do grupo agora, é bom que saiba pelo menos isso."
"O quê?" pressionou K, aproveitando a abertura. "O que você veio buscar?"
Zack simplesmente a ignorou, virando-se para Orpheus. "Como foi lidar com aquela criatura? Você usou a técnica que te ensinei?"
O rosto de Orpheus se iluminou instantaneamente, toda a seriedade anterior dando lugar a um entusiasmo juvenil que lembrava a K o qu?o jovem ele realmente era.
"Foi incrível, mestre!" exclamou ele, gesticulando animadamente. "Eu usei a técnica Dog's Blood exatamente como você me ensinou. A criatura era enorme, com tentáculos e uma voz de crian?a que era a coisa mais assustadora que já ouvi, mas eu n?o recuei!"
Zack sorriu – um sorriso genuíno que transformou completamente seu rosto, suavizando suas fei??es duras e fazendo-o parecer quase... humano.
"Sabia que você conseguiria," disse ele, bagun?ando o cabelo de Orpheus com um gesto afetuoso que deixou K boquiaberta. "Você sempre foi um aluno rápido."
"E você viu como eu usei a katana Coyote?" continuou Orpheus, praticamente saltitando de empolga??o. "Aquele movimento que você disse que eu nunca conseguiria dominar? Eu consegui! Cortei três tentáculos de uma vez só!"
Zack riu – um som surpreendentemente caloroso vindo de alguém com uma reputa??o t?o sinistra. "Estou orgulhoso de você, garoto."
K observava a intera??o com crescente perplexidade. Isso n?o era o que ela esperava. N?o havia manipula??o evidente aqui, nenhum controle mental sinistro ou coer??o. O que via era... afeto. Genuíno, inconfundível afeto entre mestre e aprendiz. Zack realmente se importava com Orpheus.
"E você sabia que sua cabe?a vale um bilh?o de moedas de ouro?" perguntou Orpheus animadamente. "Isso é incrível! Você deve ser o homem mais perigoso do mundo!"
Zack ergueu uma sobrancelha, seu sorriso desaparecendo. "E como exatamente você ficou sabendo disso?"
Orpheus congelou, percebendo tarde demais seu erro. Zack virou-se lentamente para K, que sentiu seu sangue gelar.
"Andou compartilhando histórias, K?" perguntou ele, sua voz perigosamente suave.
"Eu... eu apenas..." gaguejou ela.
Para sua surpresa, Zack apenas balan?ou a cabe?a, um sorriso ir?nico brincando em seus lábios. "Bem, pelo menos você contou o valor correto. A última vez que verifiquei, estavam oferecendo apenas 900 milh?es."
Orpheus explodiu em gargalhadas, e após um momento de choque, K se permitiu um sorriso hesitante. A tens?o se dissipou ligeiramente, e o grupo retomou sua caminhada em dire??o à cidade, agora com Zack liderando o caminho.
---
A primeira vis?o completa da Cidade Vermelha tirou o f?lego de todos. Mesmo K, que havia viajado extensivamente pelo mundo conhecido, nunca tinha visto nada parecido.
A cidade se erguia como uma vis?o de outro mundo – uma metrópole gótica de pedra negra e cinza, com torres altas e pontiagudas que pareciam querer perfurar o céu perpétuamente escuro. As ruas eram pavimentadas com pedra preta, cada bloco meticulosamente gravado com símbolos de olhos que pareciam observar os transeuntes. Estátuas com o mesmo motivo ocular estavam espalhadas por toda parte, criando a inquietante sensa??o de vigilancia constante.
As casas e edifícios eram construídos em estilo gótico exagerado, com arcos pontiagudos, gárgulas decorativas e vitrais elaborados que retratavam pessoas em ora??o e crian?as contemplando as estrelas. A luz que se filtrava através desses vitrais criava padr?es hipnóticos nas ruas abaixo.
Mas o que realmente dominava o horizonte eram as igrejas – ou templos, como Zack os chamou. Estruturas monumentais que faziam as catedrais mais imponentes do mundo exterior parecerem capelas modestas em compara??o. Cada uma era decorada com símbolos do Vazio – nuvens negras circundando um olho gigante, e representa??es de uma figura em armadura com olhos vermelhos que Zack identificou como Skull.
"Aquele é o Templo do Vazio," disse ele, apontando para a estrutura mais imponente no centro da cidade – uma constru??o colossal de ouro e pedras vermelhas que brilhava sob a luz da lua. "O maior templo do mundo, construído há mais de dois mil anos."
A cidade inteira era iluminada por um sistema elaborado de luzes azuis que emanavam do solo, criando uma atmosfera de melancolia e introspec??o que permeava tudo. N?o havia postes de luz como em outras cidades; a fia??o estava toda subterranea, permitindo que a arquitetura gótica dominasse a paisagem sem interrup??es modernas.
"Por que está t?o escuro?" perguntou Loren, olhando para o céu. "é sempre noite aqui?"
"Sim," respondeu Zack. "O Continente Vermelho nunca vê a luz do sol. Apenas escurid?o perpétua aliviada pela Lua de Sangue."
Como se respondendo à men??o de seu nome, a lua parecia maior e mais vermelha aqui, dominando o céu como um olho sangrento que observava a cidade abaixo. Sua luz carmesim banhava tudo, acentuando a arquitetura gótica e criando sombras profundas que pareciam se mover com vida própria.
"Mas olhem para cima," continuou Zack, seu rosto iluminado pela luz vermelha. "Este é o único lugar na Terra onde as estrelas s?o realmente visíveis."
Todos ergueram os olhos e ficaram maravilhados. O céu acima da Cidade Vermelha era um espetáculo de tirar o f?lego – constela??es brilhantes, nebulosas coloridas e até mesmo o que pareciam ser outras galáxias eram claramente visíveis, como se a barreira entre este mundo e o cosmos fosse mais fina aqui.
"é... lindo," sussurrou a idosa, seu rosto enrugado suavizado pelo espanto.
Enquanto caminhavam pelas ruas da cidade, o grupo come?ou a notar os habitantes. Monges de vestes largas e vermelhas, com cabe?as raspadas e corpos magros, moviam-se silenciosamente entre os cidad?os comuns. Todos, sem exce??o, possuíam olhos de um vermelho intenso que brilhavam na penumbra como rubis.
"S?o os Vermilion," explicou Zack. "Os nativos da Cidade Vermelha. Devotos fervorosos de Skull e Vis?o."
"Vis?o?" perguntou Orpheus, curioso.
Zack apontou para o símbolo do olho gigante que decorava um templo próximo. "A divindade suprema, representada como o olho que tudo vê. Skull é considerado seu general, enviado para julgar e inspirar temor."
K observou que, apesar da atmosfera sombria e da arquitetura intimidante, a cidade tinha uma beleza inegável. Cerejeiras e árvores de folhas vermelhas estavam plantadas em cada esquina, e lagos e rios serpenteavam através da malha urbana, refletindo as luzes azuis e a lua vermelha em sua superfície.
This story originates from a different website. Ensure the author gets the support they deserve by reading it there.
A popula??o era surpreendentemente diversificada – pessoas de todas as etnias imagináveis conviviam lado a lado, unidas apenas pelos olhos vermelhos característicos e pela devo??o ao Vazio. Todos andavam armados – espadas, facas, arcos – refletindo uma sociedade altamente militarizada e preparada para o combate.
Mas o mais surpreendente aconteceu quando as pessoas come?aram a notar Zack – ou mais especificamente, seus olhos negros.
A rea??o foi imediata e chocante. Pessoas paravam o que estavam fazendo para observá-lo. Alguns se aproximavam hesitantemente, como se n?o acreditassem no que viam. Outros se ajoelhavam espontaneamente, murmurando ora??es em uma língua que K n?o reconhecia.
"O que está acontecendo?" sussurrou Matheus, claramente desconfortável com a aten??o.
"Os olhos negros s?o extremamente raros," explicou Zack calmamente, como se n?o estivesse sendo tratado como uma divindade ambulante. "Aqui, aqueles que nascem assim s?o considerados messias do Vazio, Vis?o e Skull."
"Messias?" repetiu K, incrédula.
"Enquanto no resto do mundo somos ca?ados como animais," completou Zack, um sorriso ir?nico brincando em seus lábios. "A Cidade Vermelha é um refúgio para pessoas como eu."
Orpheus observava tudo com crescente admira??o e orgulho. Seu mestre, o homem que o havia treinado e protegido por anos, estava sendo tratado com a reverência que ele sempre acreditou que merecia.
"Um dia," disse ele a K em voz baixa, "serei como ele. E o mundo me respeitará da mesma forma."
K n?o respondeu, ainda processando a transforma??o completa na recep??o de Zack. O homem que era o criminoso mais procurado do mundo, um assassino temido em todos os cantos da terra, era aqui adorado como uma figura messianica.
Mais surpreendente ainda era a mudan?a no próprio Zack. Sua postura habitualmente tensa e vigilante havia relaxado visivelmente. Ele sorria – n?o o sorriso calculado e frio que ocasionalmente mostrava durante negocia??es, mas um sorriso genuíno que iluminava seu rosto. Parecia... feliz. Como se estivesse em casa.
Quando chegaram a uma pra?a central dominada por uma estátua colossal representando o olho de Vis?o, Zack se virou para o grupo.
"K, quero que você fa?a uma varredura na área," instruiu ele. "Certifique-se de que n?o há amea?as imediatas."
K assentiu, secretamente aliviada por ter uma tarefa que a afastaria temporariamente de Zack.
"Orpheus, leve o grupo para o Hotel Lua Carmesim," continuou ele, apontando para um edifício elegante do outro lado da pra?a. "Fique com eles o tempo todo."
"Sim, mestre," respondeu Orpheus prontamente.
"E você?" perguntou K, antes que pudesse se conter.
"Vou ao Bar Caneca Furada encontrar Tobi," respondeu Zack. "Depois que terminar sua varredura, junte-se a mim lá."
K piscou, surpresa. Zack estava tratando-a como uma igual, confiando nela para uma tarefa importante e depois esperando que se juntasse a ele para o que presumivelmente seria uma discuss?o significativa com Tobi. Apesar de tudo o que sabia sobre ele, n?o p?de evitar sentir uma onda de orgulho.
"Entendido," disse ela, tentando manter a voz neutra.
Zack assentiu e se virou para partir, mas parou e olhou para trás uma última vez.
"K," chamou ele, "tenha cuidado. A Cidade Vermelha pode parecer acolhedora para visitantes, mas tem seus próprios perigos."
Com isso, ele se afastou, desaparecendo entre a multid?o que imediatamente se abria para dar-lhe passagem, muitos ainda se curvando ou tentando tocar suas vestes ao passar.
---
O Bar Caneca Furada era exatamente o tipo de estabelecimento que seu nome sugeria – um lugar onde segredos, reputa??es e ocasionalmente pessoas eram perfurados e esvaziados como canecas de cerveja barata. Mas sua aparência era muito mais impressionante do que seu nome indicava.
Construído em estilo gótico extremo, o bar ocupava o que parecia ter sido uma antiga capela. Arcos pontiagudos sustentavam um teto alto decorado com afrescos representando batalhas antigas entre guerreiros de olhos vermelhos e criaturas das trevas. Gárgulas decorativas observavam os clientes de seus poleiros nas colunas, suas express?es congeladas em sorrisos maliciosos ou caretas de dor.
A ilumina??o vinha de candelabros de ferro forjado e lanternas de chama azul, criando um jogo hipnótico de luz e sombra que dan?ava nas paredes de pedra escura. Mesas maci?as de madeira entalhada com símbolos ocultos ocupavam o espa?o principal, cada uma cercada por cadeiras com encostos altos que lembravam tronos miniatura.
O balc?o do bar era uma obra de arte por si só – uma única pe?a de madeira petrificada negra, polida até brilhar como obsidiana, com entalhes representando cenas de batalhas antigas e rituais esquecidos. Atrás dele, prateleiras exibiam uma cole??o impressionante de garrafas contendo líquidos de todas as cores imagináveis, alguns brilhando com luz própria, outros emitindo fuma?a ou mudando de cor lentamente.
A decora??o era completada por cranios humanos e de criaturas desconhecidas, alguns transformados em canecas ou luminárias, outros simplesmente dispostos em prateleiras como troféus silenciosos de histórias n?o contadas.
O bar estava cheio quando Zack entrou, o barulho de canecas batendo, conversas altas e ocasionais explos?es de riso criando uma cacofonia que contrastava com a atmosfera sombria do exterior. Jogos de cartas aconteciam em várias mesas, apostas altas sendo feitas e perdidas em quest?o de segundos.
Atrás do balc?o estava Vex – um homem alto e magro com olhos vermelhos intensos que pareciam brilhar na penumbra. Careca, com tatuagens rituais cobrindo seu cranio e pesco?o, vestia um avental de couro sobre roupas pretas simples. Suas m?os se moviam com precis?o sobrenatural enquanto misturava bebidas, nunca derramando uma gota sequer.
Em um pequeno palco no canto, Lyra cantava uma balada melancólica sobre amantes separados pelo Vazio. Era uma mulher esguia e elegante com um olho vermelho e outro verde, vestida em um longo vestido de seda negra com detalhes em prata. Seu cabelo prateado caía em ondas até a cintura, e uma adaga curva cerimonial pendia de sua cintura. Sua voz era hipnótica, fazendo com que até mesmo os jogadores mais barulhentos baixassem o tom para ouvi-la.
Em uma mesa próxima ao balc?o, Mira dominava um jogo de cartas, seu rosto marcado por cicatrizes quase simétricas impassível enquanto coletava outra rodada de apostas. Uma mulher robusta com olhos de um azul sobrenatural, quase luminescente, vestia roupas de couro refor?ado em tons de azul escuro e preto. Seu cabelo negro era cortado curto e prático, e um par de pistolas ornamentadas com runas gravadas nos canos repousava ao seu alcance sobre a mesa.
Quando Zack entrou, o silêncio se espalhou gradualmente pelo bar como uma onda, come?ando pela porta e avan?ando até que apenas a voz etérea de Lyra permanecia, flutuando sobre o silêncio como um fantasma sonoro.
Vex foi o primeiro a reagir, um sorriso largo se espalhando por seu rosto tatuado. "Pelos olhos de Vis?o," murmurou ele, mas n?o fez men??o de sair de trás do balc?o.
Zack ignorou os olhares, seus olhos negros vasculhando o estabelecimento até encontrar o que procurava – Tobi, sentado sozinho em uma mesa próxima ao balc?o, de frente para a entrada.
O Ca?ador estava exatamente como antes – casaco grande em estilo inglês, camisa social branca, cal?as pretas sociais, sapatos impecavelmente polidos, luvas brancas imaculadas e o característico chapéu vermelho com listra preta. Um cigarro pendia casualmente de seus lábios, a fuma?a subindo em espirais pregui?osas.
Zack caminhou deliberadamente em sua dire??o, cada passo ecoando no silêncio tenso que havia tomado conta do bar. Todos os olhos seguiam sua trajetória, alguns com medo, outros com reverência, outros ainda com uma curiosidade ávida.
Quando chegou à mesa de Tobi, Zack parou. Os dois se encararam em silêncio por um momento que pareceu se estender indefinidamente. Os olhos negros de Zack, profundos como o Vazio, encontraram os azuis de Tobi, frios como o mar em dia de tempestade.
A tens?o era palpável, densa como a névoa que ocasionalmente cobria o Continente Vermelho. Alguns clientes mais nervosos come?aram a se afastar discretamente, prevendo violência iminente.
Ent?o, para choque de todos os presentes, a tens?o se dissolveu instantaneamente quando Zack e Tobi se levantaram e se abra?aram como velhos amigos, rindo e batendo nas costas um do outro com genuíno afeto.
"Seu bastardo de olhos negros," exclamou Tobi, sua voz jovial ecoando no bar ainda silencioso. "Quanto tempo!"
"Tempo demais, seu assassino de aluguel," respondeu Zack, um sorriso genuíno iluminando seu rosto normalmente sério.
Os dois se sentaram, e Zack fez um gesto para Vex, que imediatamente come?ou a preparar bebidas sem que um pedido específico fosse feito.
Gradualmente, as conversas recome?aram ao redor do bar, embora muitos olhares continuassem fixos na dupla improvável. Lyra retomou sua can??o, agora uma balada sobre amizades forjadas em sangue e trai??es inevitáveis, sua voz etérea pairando sobre a cena como um presságio.
Vex trouxe pessoalmente as bebidas – dois copos de um líquido vermelho escuro que parecia absorver a luz ao redor, servidos em cranios humanos meticulosamente polidos e transformados em ta?as.
"Pela velha amizade," brindou Tobi, erguendo seu cranio-ta?a.
"E pelos velhos inimigos," completou Zack, tocando sua ta?a na de Tobi com um som que lembrava ossos se quebrando.
Enquanto os dois come?avam a conversar intensamente, inclinando-se sobre a mesa para manter a privacidade, Mira observava a cena com seus olhos azuis sobrenaturais, um sorriso conhecedor brincando em seus lábios marcados por cicatrizes. Lyra continuava cantando, mas seus olhos heterocromáticos nunca deixavam a mesa onde os dois Ca?adores conversavam. E Vex, limpando meticulosamente um copo com um pano que parecia feito de pele humana curtida, observava tudo com a express?o de alguém que sabia muito mais do que jamais revelaria.
O Bar Caneca Furada continuava sua noite como sempre, mas algo havia mudado. Uma nova história estava sendo escrita, e todos ali sabiam que, de alguma forma, eram testemunhas de algo significativo – mesmo que nenhum deles pudesse prever exatamente o que estava por vir.
Lembre-se de acompanhar a história e deixar um favorito e um comentário para me dizer se você gostou ou n?o. Vejo que muitas pessoas leem a história, mas n?o seguem a página — seu apoio realmente me ajuda a entender que você gostou.
Obrigado pela leitura.
Tabelas Oficiais do Mundo
Tabela 1 — Criaturas do Void
Tabela 2 — Continente Vermelho
Tabela 3 — Ca?adores
Tabela 4 — Sistema de Ranks do Mundo
Tabela 5 — Energia Espiritual e Habilidades
Tabela 6 — Ca?adores Irregulares
Regra Fundamental do Mundo
Aura n?o define poder.
For?a física n?o garante sobrevivência.
Habilidade é o que separa os fortes dos mortos.

