Est?mago cheio e energia nas alturas!
Com o ambiente festivo, o calor solar é agradável conforme caminham pela Avenida após as garotas terminarem de lanchar.
Já próximo ao meio-dia, a movimenta??o na rua come?a a decair inesperadamente. Lojas, antes fechadas, se abrem uma após a outra.
Por outro lado, os Mestres de Marionetes recolhem suas coisas para se retirarem. Os bonecos s?o colocados em uma espécie de maleta e transportados com facilidade.
Entretanto, os artistas de ruas musicais ainda permanecem a tocar os seus instrumentos. A quantidade deles aumenta significativamente nesse horário, como se o louvor ao Grande Sol estivesse em seu ápice.
Desde clarinetes à tambores, uma orquestra sinf?nica busca glorificar a luz dourada no epicentro do céu azul.
O ritmo contagiante é o que mantém a Avenida Wichell viva e, por consequência, a beleza da cidade e o bom humor dos comerciantes.
“Artesanato… Confec??o de Xícaras… Alfaiataria… Brechó… S?o tantas lojas-”
Sem saber para onde olhar, o menino está inquieto com tanta agita??o. Porém, uma grande sombra preenche o seu campo de vis?o à frente pouco a pouco.
Enquanto caminha subindo a avenida e indo em dire??o ao cume para chegar ao lado leste, uma enorme estrutura coberta por uma lona pode ser visualizada.
一 E-Esse lugar n?o mudou… Eu v-vinha muito aqui…
Os olhos azuis escuros de Jeanice reluzem em nostalgia. Uma das poucas vezes em que ela sorriu genuinamente.
Mesmo encapuzada, o rapaz visualiza lateralmente o semblante dela.
一 é a Pra?a Ander, Jeanice?
De bra?os cruzados, a voz do mentor na dianteira da fila vêm junto de um olhar de soslaio.
一 S-Sim! De noite era ainda m-mais bonita!
A feiticeira chacoalha a cabe?a sem qualquer demora e com muita agita??o.
一 Nunca ouvi falar~
Com as m?os na nuca e os cotovelos levantados, Carmen parece desinteressada em uma pra?a. De barriga cheia, o que ela deseja é uma cama e um lugar para repousar…
一 Era um ponto turístico bem famoso. Ela é conhecida por outro nome…
Cada vez mais perto da estrutura, é visível grandes grades formando uma parede ou circunferência por toda a pra?a. Essas grades prendem a lona que tapa o sol ali dentro, deixando o lugar ainda mais escuro.
N?o dá para espiar nada do que está lá dentro.
一 Quer entrar, Raisel?
Ao ouvir, n?o sabia ao certo o quanto valeria à pena. Mas já que estavam do lado da estrutura…
一 Quero. Deve ser interessante.
Conforme contornam, é possível ver algumas pessoas entrando. Crian?as, idosos e adultos, n?o há restri??o na faixa etária de idade.
Acompanhados de seus pais, os mais novos brilham em animo para entrar ali dentro.
Ao chegarem de frente para a entrada, os olhos de Raisel se abrem completamente admirados com a paisagem adiante.
As laterais do capuz de Jeanice est?o paralisadas de tanta felicidade por estar aqui novamente.
Por debaixo da barba, os cantos dos lábios de Yurgen se curvam. Os ombros até mesmo relaxam um pouco.
Por outro lado, Carmen estreita o olhar com um arrepio que percorre a sua nuca. A testa dela, sob a franja ruiva, está naturalmente azul de tanto inc?modo.
一 Uau…
O velho retoma a caminhada para dentro ao escutar o sussurro de surpresa do seu discípulo.
Sob as lonas, é como se a escurid?o estivesse pigmentada em incontáveis cores desbotadas. Essas cores est?o moldadas na forma de humanóides espectrais que flutuam para lá e pra cá.
Dos mais variados tamanhos, dos mais variados formatos e das mais variadas aparências. A luz breve emitida desses espectros iluminam parcialmente os seus arredores floridos, destacando a ambienta??o gótica de grades menores e um enorme pilar no centro que sustenta a lona que cobre tudo.
一 Pra?a dos Espíritos. Esse é o outro nome.
Mais para dentro, um desses espectros se aproxima do grupo. Com cabelos encaracolados e volumosos como um capacete, ressoa em uma cor esverdeada e olhos claros.
一 Olá… Querem ver minha apresenta??o?
Com uma voz gentil e calma, a entidade flutua a poucos metros do ch?o. Seu tamanho é menor, quase da altura de Yurgen, mas ele parece ser maior por voar e oscilar como uma chama.
一 Por favor.
Curioso, o arqueiro é quem dá o aval. Logo atrás dele, Carmen parece completamente horrorizada ao ponto de desmaiar à qualquer momento…
Os dois mais novos apenas encaram o fantasma como crian?as.
一 Eles s?o feitos do que, Jeanice?
Em sussurros, Raisel abaixa o olhar para a menina ao lado.
一 G-Gewissen… Todos aqui em Kromslaing sabe como m-moldar suas energias em humanoides.
Com a confirma??o, o rapaz se lembra de quando a feiticeira os atacou na floresta com aquela chuva de energia explosiva. A aura azulada estava repleta de rostos distorcidos.
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一 Hm…
O fantasma parece retirar três esferas de dentro de si. Nesse momento, ele as joga para o alto e intercala as pegadas em um malabarismo perfeito. Contudo, o ritmo se torna cada vez mais acelerado à medida que outras duas esferas s?o introduzidas.
Para n?o deixar o espetáculo monótono, o espírito arremessa as cinco bolinhas para mais alto. Voando, algumas vezes, uma das bolinhas bate contra a sua testa e quebra o ciclo das pegadas.
Em seguida, elas s?o arremessadas desordenadamente para dire??es aleatórias, mas incrivelmente se atraem aos palmos do fantasma. Pela velocidade dos arremessos, elas formam desenhos simples no ar como um cora??o e outras formas geométricas.
Ao fim do espetáculo, o espectro reúne os palmos na altura do peitoral como se comprimisse todas as bolinhas e, em seguida, se curva respeitosamente.
Raisel, Yurgen e Jeanice aplaudem conforme ele se desfaz no ar.
Olhando para os lados, o rapaz percebe a a?ougueira encolhida como uma pedra.
一 Vov?…
O velho olha para trás e vê o neto, mas rapidamente desliza os olhos até a medrosa.
一 Eu esqueci disso… Vamos sair-
Preocupado, um suor escorre da lateral do rosto barbado.
Yurgen pega Carmen completamente molenga e a leva nas costas.
一 O-O que ela tem?
Com certa apreens?o, a meio-elfa caminha ao lado do garoto enquanto observa o estado da mulher.
一 Ela só… tem medo de espíritos-
Um suspiro esvaí dos lábios do velho.
一 Por que?
N?o esperava algo assim de alguém forte como a Carmen, a mulher que o ensinou a manejar uma espada.
一 Quando ela era crian?a–
Antes que conseguisse terminar a fala, as m?os da ruiva tapam a boca do homem. Mesmo em péssimas condi??es, é notável a hostilidade dela.
Em um sussurro, o ódio se torna palpável para os dois atrás, mas para o velho, é quase como um senten?a de assassinato.
一 Se você contar, eu te castro…
Sem conseguir ver o rosto dela ou dizer algo, Yurgen acena com a cabe?a.
Os jovens se encaram sem entender muito, mas a luz da saída está próxima.
Contudo, passos destoantes ao do grupo come?am a se aproximar.
Raisel e Yurgen notam ao mesmo tempo perante os aplausos de fundo.
Levando os olhares à esquerda, observam um homem baixinho e bem trajado com uma cartola. Um bigode pequeno, mas pontiagudo e brevemente ondulado. Bochechas bem grandes, olhos pequenos e um corpo rechonchudo.
一 Desculpe o inc?modo, eu me chamo Jasmon. Vejo que sua companheira n?o está bem…
Com a chegada do desconhecido, Jeanice se encolhe para perto do menino. Por outro lado, discípulo e mestre o encaram.
一 Prazer, Jasmon… Estamos com pressa para sair por esse motivo. O que quer?
Desconfiado, os olhos cinzentos de Yurgen o encaram. Disfar?ando a ativa??o do Zienung, ele implementa a habilidade sensorial aos outros sentidos ao invés da vis?o para inspecioná-lo caso houvesse algum tra?o de Geloscht, ou melhor, corrup??o.
一 Se possível, gostaria de recomendar a pousada Schleier des Mondes para um descanso.
Humildemente, o homem se curva minimamente enquanto levanta a cartola. Isso revela a sua quase falta de cabelo.
Contudo, o experiente arqueiro n?o nota nenhuma maldade vindo daquele senhor.
一 Obrigado, vou manter em mente.
Com isso, os três voltam a caminhar.
Ao passar pela luz da saída, eles notam algo estranho.
一 Já está quase… no fim da tarde?
一 Nós n?o ficamos tanto tempo assim.
Aterrorizada com o desconhecido, Jeanice permanece escorada em Raisel.
一 De duas uma. Perdemos a no??o do tempo ali dentro ou o dia dura menos aqui em Kromslaing.
一 Que estranho.
Eles voltam a caminhar, mas em poucos passos, Yurgen nota a pousada recomendada mais adiante.
A cada segundo que se passa, mais pesada é a sua sensa??o com a cidade.
“é melhor descansarmos… A Carmen precisa se recuperar. N?o vou conseguir proteger ela no meu estado atual, Raisel teria que cuidar de nós três enquanto a Jeanice o auxilia…”
一 Tsc… Vamos entrar. Fiquem em alerta.
Os dois o acompanham.
Com o céu laranja, aos poucos, as nuvens douradas come?am a se tornar rosas cintilantes. O sol acalorado, aos poucos, se despede em conjunto com a anima??o e a música do local.
O silêncio na calmaria nunca foi t?o trai?oeiro…

