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4. Ecos do nada

  Shade parou diante do símbolo pintado no ch?o da camara.

  A árvore Dourada pulsava sob seus pés, cada galho e fruto platinado vibrando como se respirasse. Ela ainda sentia o peso do templo, o mesmo ar comprimido e quase sufocante que a tinha engolido desde que atravessara a porta maci?a e lutara para escapar da criatura que julgava sua presen?a.

  Os símbolos nas paredes, vistos antes como inscri??es antigas e rígidas, agora se moviam, como se reagissem à sua própria consciência. Padr?es que antes pareciam fixos, agora fluíam em ritmos impossíveis, quebrando a lógica, dobrando o espa?o ao redor.

  Um estalo.

  Outro.

  O som vinha das paredes, ou talvez do próprio ar. Shade recuou, os olhos atentos, lembrando-se da m?o negra que quase a arrastara para a morte, do rugido que n?o era apenas som, mas comando. O templo reagia a ela, e ela sabia disso.

  O ch?o tremeu. Um frio profundo percorreu seu corpo, mais antigo que pedra ou sombra, um frio que parecia vir do núcleo do mundo, ou de algo além dele. Ela estendeu a m?o. As pedras vibraram, o ar se partiu em silêncio.

  O Vazio come?ou a se infiltrar.

  O som desapareceu. O eco da própria respira??o se perdeu. Tudo parecia… apagar. Shade tentou inspirar, mas o ar parecia errado, pesado demais, como se tivesse sido esquecido pelo tempo.

  Stolen novel; please report.

  As paredes se distorceram, os símbolos se corromperam na escurid?o, pulsando e morrendo em padr?es que lembravam a própria árvore no ch?o. Por um instante, jurou ver algo nas sombras… olhos vastos e imóveis, observando com calma inumana.

  A voz veio dentro de sua cabe?a, fria como a?o quebrado:

  "Cuidado onde pisa… nem o nada gosta de ser tocado."

  Shade estremeceu, os olhos arregalados. Olhou para trás. O corredor que antes existia, que a tinha levado até ali, agora era apenas um rastro de poeira flutuando no nada.

  O templo n?o estava ruindo. Ele estava sendo esquecido.

  O ch?o sob seus pés come?ou a fragmentar-se, dissolvendo-se em blocos que desapareciam como se o próprio espa?o estivesse sendo apagado. Shade correu, cada passo apagando o mundo atrás dela, ecoando a fúria silenciosa do templo.

  — N-n?o… n?o agora…

  murmurou, o panico misturado à incredulidade.

  A cada salto, cada fragmento sólido desaparecendo sob seus pés, o espa?o diminuía até restar apenas um último peda?o. Ela olhou para baixo. N?o havia ch?o. N?o havia luz. Nem horizonte. Apenas o nada.

  E, lá dentro, algo observava. Um contorno distante, respirando dentro do próprio vazio. A mesma sensa??o que a criatura havia provocado, a mesma press?o que os símbolos da camara imprimiam em sua mente.

  — Ent?o… é aqui que termina a fuga…

  Shade suspirou, fechando os olhos.

  O último peda?o do ch?o se desfez. Ela caiu.

  Mas n?o em dire??o ao fim. Em dire??o ao que estava além dele.

  "Porque, às vezes, o fim n?o é cair, é finalmente parar de fugir."

  Fim do capítulo 4

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