A vida na Academia Zenith era, para usar uma palavra, brutal. A rotina era impiedosamente exigente, desenhada para separar o bom do lendário. As manh?s come?avam antes mesmo do primeiro sol de Zenthos nascer, com exercícios físicos que levavam os corpos dos cadetes ao seu limite absoluto. A isto seguiam-se horas de aulas teóricas sobre estratégia de combate, história galáctica e ética heroica, sess?es que testavam a mente com a mesma intensidade que o corpo já suportara. O treino solitário de Moisés com o Guardi?o tinha sido intenso, mas isto estava noutro nível. A academia n?o era uma escola; era uma fornalha, uma máquina perfeitamente calibrada para forjar heróis ou quebrá-los no processo.
Certo dia, enquanto Moisés treinava sozinho numa das arenas de combate ao ar livre, aprimorando os seus movimentos básicos com uma repeti??o metódica e focada, Maria aproximou-se com o seu sorriso confiante e a sua aura de energia crepitante.
"Ei, Moisés! Cansado de lutar contra o ar?", disse ela, parando a poucos metros dele. "Queres um desafio a sério? Gostava de te conhecer melhor, ver do que o caloiro que calou a arena é realmente feito."
Moisés parou o seu exercício e virou-se para ela. Um sorriso raro e genuíno formou-se no seu rosto. "Claro."
O que se seguiu foi uma demonstra??o de velocidade pura, uma tempestade de movimento. Maria era um cometa azul e prateado, um borr?o que se movia pela arena como um relampago. Os seus ataques vinham de todas as dire??es, uma sucess?o estonteante de socos e pontapés que eram quase mais rápidos do que o olho humano podia acompanhar. Fiel às li??es do Guardi?o, Moisés, deliberadamente, n?o usou o seu Instinto de Batalha ao máximo. Ele deixou-se atingir por alguns dos golpes mais leves, sentindo o impacto, permitindo que o seu corpo catalogasse a velocidade, a for?a e, mais importante, o padr?o dos seus ataques. 'O Guardi?o tinha raz?o', pensou ele, enquanto um soco de rasp?o lhe atingia o ombro. 'Primeiro, aprende.'
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Maria parou de repente, as m?os na anca, um pouco ofegante, mas com um ar de triunfo. "Ent?o, Moisés? N?o parecias t?o lento na tua apresenta??o. O que se passa, perdeste a coragem?"
Moisés apenas sorriu de volta, um sorriso calmo e enigmático. "Ainda estou a aquecer", respondeu ele. "Ataca-me de novo. Com tudo o que tens."
O desafio, proferido com uma calma t?o desconcertante, acendeu um fogo competitivo nos olhos de Maria. "Tu é que pediste!", exclamou ela.
Ela disparou. Mas desta vez, algo estava fundamentalmente diferente. O seu corpo, a sua mente, o seu Instinto de Batalha, já tinham aprendido a dan?a. Por mais rápido que Maria se movesse, por mais angulos impossíveis que tentasse, Moisés estava sempre um passo à frente. Ele n?o atacava. Ele n?o se defendia com for?a. Ele apenas se movia. Um desvio fluido aqui, uma inclina??o graciosa ali, um passo para o lado no último microssegundo. Ele n?o bloqueava os seus ataques; ele guiava-os para o vazio, deixando que a sua própria velocidade a traísse. Para ela, era como tentar acertar na fuma?a.
Frustrada, exausta e confusa, Maria parou, a respirar pesadamente, o seu corpo a fumegar ligeiramente com a energia que gastara. Ela n?o lhe tinha tocado. Nem uma única vez.
"Como...?", conseguiu ela dizer, entre lufadas de ar. "Isso... isso é impossível." E ent?o, a frustra??o no seu rosto deu lugar a uma express?o de puro choque e admira??o. "Tu... Tu és incrível."
"Tive um treino bastante duro para chegar a este nível", respondeu Moisés, a sua postura relaxada, a sua respira??o perfeitamente calma.
Maria abanou a cabe?a, um sorriso de incredulidade e admira??o a formar-se no seu rosto. "Incrível é pouco. Eu sou a pessoa mais rápida desta escola, e em poucos minutos, conseguiste ler cada movimento meu como se eu estivesse em camara lenta. O potencial que tu tens... é fascinante."
"Obrigado", disse Moisés, com uma sinceridade genuína que a surpreendeu. "Tu também n?o és nada má. A tua velocidade... é um poder realmente forte. Quase me apanhaste."
Maria riu, o seu cansa?o momentaneamente esquecido pela honestidade do elogio. Naquele dia, na arena de treinos, sob os sóis de Zenthos, n?o nasceu apenas respeito mútuo entre dois guerreiros.
Nasceu uma amizade.

