O silêncio no pátio era pesado, denso, quebrado apenas pelo crepitar das pedras na cratera fumegante e pelo som distante do vento a assobiar pelas torres de obsidiana. Os olhos de Marco, frios e inquisidores, estavam fixos em Moisés e Maria, a sua cabe?a ligeiramente inclinada, avaliando-os.
"Vocês n?o me ouviram, ou eu n?o fui claro?", sibilou Marco, a sua paciência a esgotar-se visivelmente. "Prendam este intruso. Agora."
O cora??o de Maria martelava contra as suas costelas, um tambor de panico. Ela olhou para o corpo inconsciente de Rick, o seu amigo, e depois para Moisés, esperando uma ordem, um sinal para a luta que parecia inevitável. Mas Moisés fez algo que ela n?o esperava, algo que fez o seu sangue gelar. Ele assentiu para Marco.
"Imediatamente", disse ele, a sua voz disfar?ada de guarda soando calma e obediente. Ele moveu-se em dire??o a Rick, puxando um par de algemas de energia do seu cinto.
Maria avan?ou num instante e agarrou-lhe no bra?o, a sua voz um sussurro desesperado e furioso. "Moisés, o que estás a fazer?! é o Rick!"
"Calma", respondeu ele, t?o baixo que só ela podia ouvir, os seus olhos nunca deixando os de Marco, que observava a cena com um divertimento crescente. "Tenho um plano. Confia em mim."
Relutantemente, a sua mente em tumulto, Maria soltou-o. Observou, horrorizada, enquanto Moisés rolava o corpo pesado de Rick e prendia os seus pulsos com as algemas de energia. A sua mente gritava que aquilo era um erro, uma trai??o, mas a sua fé em Moisés era a única coisa a que se podia agarrar.
Nesse exato momento, o som de passos apressados e armaduras a retinir ecoou da entrada principal. Três figuras de armadura negra entraram no pátio, as suas posturas de alerta máximo. Eram os guardas originais, finalmente despertos e furiosos.
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Marco, que até ent?o mantinha um sorriso de controlo, virou-se e a sua express?o mudou para uma de choque genuíno. A sua mandíbula caiu ligeiramente. Se aqueles eram os verdadeiros guardas... ent?o quem eram estes dois?
"Impostores...", sussurrou ele, a sua voz uma mistura de incredulidade e uma súbita e brilhante raiva pela audácia deles.
O plano de Moisés de ganhar tempo tinha falhado da forma mais espetacular possível. O sangue dele e de Maria gelou nas suas veias. Estavam encurralados, a sua mentira exposta.
Antes que pudessem sequer pensar em reagir, Marco, agora furioso por ter sido enganado, tornou-se um borr?o. Num piscar de olhos, ele estava entre eles. Um pontapé giratório, executado com uma velocidade aterradora, atingiu ambos simultaneamente. O impacto n?o foi forte o suficiente para os derrubar, mas foi o suficiente para quebrar a concentra??o de Moisés. A luz dourada do disfarce cintilou, estalou como vidro partido, e desvaneceu-se, revelando os seus verdadeiros rostos.
Marco aterrou suavemente. Ele olhou para os seus rostos, depois para os guardas originais. E ent?o, o seu choque transformou-se num sorriso cruel. "Heróis da Zenith", disse ele, a sua voz a pingar desprezo. Ele abanou a cabe?a com um falso desapontamento. "Mas afinal, o que aconteceu com as defesas lendárias do Crisol do Abismo?"
Ele n?o esperou por uma resposta. Com um último sorriso trocista, Marco teleportou-se, desaparecendo. Um segundo depois, um som ensurdecedor rasgou o ar. Um alarme estridente, ululando como uma banshee, ecoou de todas as torres da fortaleza, anunciando a sua presen?a a todos os vil?es do planeta.
As portas da fortaleza abriram-se de rompante. Dos corredores, das arenas, dos dormitórios, eles surgiram. Dezenas, depois centenas de figuras de armadura negra, as suas espadas de energia a zumbirem com uma luz sombria. Em segundos, o pátio transformou-se numa armadilha mortal.
Moisés e Maria puseram-se de costas um para o outro, prontos para a luta. A seus pés, Rick continuava inconsciente. Estavam completamente cercados. N?o havia saída. N?o havia mais disfarces.
A miss?o de reconhecimento tinha acabado. A guerra pela sobrevivência tinha acabado de come?ar.

