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15 |💫| Lembranças Esquecidas

  ?──────??──────?

  Samuel caminhava sozinho, seus passos ecoando fracamente pelo caminho desolado. O ar ali era pesado, carregado de um silêncio opressor. As sombras da cidade subterranea se estendiam ao seu redor como espectros esquecidos, mas ele n?o se preocupava com elas. O que realmente o perturbava eram os sussurros silenciosos daquele mundo esquecido. Ele n?o os ouvia de verdade, mas sentia.

  Sentia o peso de algo que aquele mundo n?o conseguia mais sustentar.

  Por um instante, fechou os olhos e respirou fundo, tentando afastar o peso esmagador daquele lugar. Mas n?o adiantava. O esquecimento n?o era apenas algo que consumia os outros. Ele tentava devorá-lo também, como um fogo invisível queimando lentamente sua essência.

  Ent?o, um estalo fraco soou em seu ouvido.

  — Você tá bem, Samuel? — A voz de P.A. rompeu o silêncio, trazendo um fio de normalidade de volta ao momento.

  Ele n?o respondeu de imediato. Apenas continuou andando, ouvindo o leve chiado da comunica??o, o som que o lembrava de que n?o estava completamente sozinho.

  — Acho que alguém... cortou nossa transmiss?o direta. Me desculpe por ter sido t?o descuidada — continuou P.A., sua voz carregando uma hesita??o incomum.

  Samuel permaneceu inexpressivo, mas sua resposta veio firme:

  — Tá tudo bem. Eu já resolvi esse problema.

  P.A. notou algo diferente no tom dele. N?o era exatamente preocupa??o, mas um peso invisível, algo que n?o costumava transparecer. Ela percebeu que ele olhava ao redor, atento, como se enxergasse algo que ela n?o via.

  — Você tá vendo alguma coisa?

  — Sombras.

  P.A. franziu a testa.

  — Como assim sombras? Eu n?o t? detectando nada aqui.

  Samuel continuou caminhando, sem pressa. Seu olhar se manteve firme na escurid?o à frente, mas sua postura era ainda mais rígida, como se resistisse a uma press?o invisível.

  — Você n?o pode vê-las. Elas se alimentam do que já está quebrado.

  A explica??o de Samuel deixou P.A. desconfortável, mas também intrigada. Havia um peso nas palavras dele, algo que fazia sua voz parecer mais densa, mais carregada de significado. Ela sentia que Samuel n?o estava apenas descrevendo um fen?meno. Ele estava falando de algo que ele vivenciava de uma maneira profunda, como se fosse parte de sua própria essência.

  — E aquela crian?a... ela era uma sombra também?

  Samuel parou por um breve instante antes de responder. Sua voz n?o demonstrava emo??o, mas algo em seu tom indicava que aquela pergunta o fez refletir.

  — N?o. Ela era uma alma esquecida.

  P.A. franziu a testa.

  — Alma esquecida? Isso n?o faz o menor sentido.

  — S?o almas que se afastaram da luz. Algumas se perdem. Outras… viram sombras. E ent?o vagam por aí, carregando a dor de um mundo que já esqueceu delas.

  P.A. absorveu aquelas palavras, sentindo algo que n?o conseguia definir. Algo entre compaix?o e tristeza, algo que ela n?o sabia como processar.

  — Ent?o... você salvou aquela alma?

  — Eu apenas trouxe a luz de volta para ela. Dei a chance de um novo recome?o.

  P.A. n?o sabia o que responder. Ela costumava racionalizar tudo, mas as palavras de Samuel faziam ela questionar se aquilo n?o era mais do que metáforas vazias.

  — Ent?o quer dizer que você tem "poderes mágicos" que podem trazer "almas esquecidas" de volta para a luz? — disse P.A. em um tom sarcástico, tentando aliviar a tens?o. Mas, por dentro, ela analisava cada palavra que Samuel dizia, como se suas palavras n?o fossem apenas metáforas vazias, mas uma realidade distante e dolorosa.

  Ele n?o riu, nem reagiu ao sarcasmo. Seu olhar permaneceu inalterado, fixo no vazio à frente, como se as palavras de P.A. fossem apenas um eco distante. Quando finalmente respondeu, sua voz carregava uma serenidade imutável, mas também um peso impossível de ignorar:

  — Eu apenas fa?o o que precisa ser feito. Muitos mundos já perderam sua luz... Eu só tento devolvê-la.

  P.A. ficou em silêncio. Parte dela queria insistir no ceticismo, buscar uma resposta lógica para tudo que Samuel dizia, mas... algo dentro dela hesitava. Como se, no fundo, soubesse que suas palavras n?o eram apenas metáforas vazias. Como se ele realmente falasse sobre algo que escapava à sua compreens?o.

  Antes que pudesse se aprofundar mais nesses pensamentos, um aviso urgente escapou de seus lábios:

  — Chegamos.

  Samuel interrompeu seus passos, seus olhos pousando na estrutura à frente. A entrada do laboratório se erguia como uma sombra imóvel no meio da escurid?o, sua silhueta gasta pelo tempo, mas ainda imponente. A ferrugem corroía as laterais da porta metálica, e rachaduras serpenteavam as paredes de concreto, como veias mortas de um organismo abandonado há décadas.

  Mas, mesmo ali, entre ruínas e abandono, um símbolo persistia. Gravado na superfície de metal corroído, o emblema que P.A. mencionara permanecia visível, ainda que desgastado pelo tempo. Samuel encarou o símbolo por alguns instantes. Ele n?o se lembrava de já tê-lo visto antes, mas algo nele... lhe parecia familiar.

  Sem hesitar, levantou a m?o e tocou a porta fria. Assim que seus dedos ro?aram o metal, uma vibra??o percorreu sua palma — fraca, mas inegável. Algo ali dentro ainda estava ativo.

  Quase no mesmo instante, a estrutura come?ou a emitir um brilho fraco, pequenos circuitos escondidos sob camadas de ferrugem se reacendendo aos poucos, como se despertassem de um sono profundo.

  — Há energia residual — constatou P.A., sua voz agora mais atenta. — Pelos meus cálculos, mesmo nesse estado, esse laboratório ainda está funcional.

  Enquanto falava, seu olhar digital captava cada detalhe da entrada, mas sua mente estava em outro lugar.

  "Eu sabia... Eu posso sentir a conex?o dele..."

  Ela n?o compartilhou esse pensamento com Samuel. N?o ainda.

  Um ruído metálico cortou o silêncio quando a porta come?ou a se mover. O som era áspero, como algo que n?o era usado há anos lutando para voltar à vida. Rangidos altos ecoaram pelo ambiente, e camadas de poeira se soltaram das fendas. A abertura foi lenta, arrastada, como se o próprio laboratório resistisse a ser explorado novamente.

  Quando a passagem finalmente se revelou, Samuel e P.A. puderam ver o que os aguardava.

  O interior do laboratório se estendia em um corredor longo e sombrio. Algumas luzes ainda piscavam fracamente, lan?ando clar?es intermitentes que tornavam o ambiente ainda mais inquietante. As paredes estavam cobertas de rachaduras e cabos soltos, enquanto o teto exibia sinais claros de desgaste, com placas metálicas parcialmente caídas e fia??es expostas como nervos à mostra.

  Mas havia algo mais. Algo vivo.

  Fungos cresciam entre os destro?os, espalhando-se pelas paredes e pelo ch?o, como se a própria natureza tentasse recuperar o que um dia pertenceu à tecnologia. O ar era pesado, carregado de umidade, mofo e uma sensa??o indescritível de decomposi??o.

  Samuel n?o hesitou. Sem olhar para trás, deu o primeiro passo para dentro.

  Assim que cruzou a entrada, sentiu a mudan?a no ambiente. N?o era apenas o cheiro ou a temperatura — era algo mais profundo. Uma sensa??o de abandono impregnava o lugar, mas n?o apenas um abandono físico. Era como se aquele local guardasse um segredo enterrado há tempo demais.

  Stolen from its original source, this story is not meant to be on Amazon; report any sightings.

  Algo ali dizia a P.A. que estavam prestes a descobrir algo importante.

  Mas o que realmente a preocupava era o que iriam encontrar lá dentro.

  Samuel caminhava pelo laboratório em silêncio, seus olhos analisando cada detalhe. Algumas portas estavam escancaradas, quebradas como bocas abertas em um grito mudo. Aparelhos destruídos jaziam espalhados pelo ch?o, alguns ainda com fios retorcidos, como se tivessem sido abandonados no meio de um experimento.

  O ambiente lhe trazia lembran?as.

  Lembran?as da instala??o onde estivera quando chegou à Cidadela. Mas, diferente de lá, este laboratório parecia muito mais antigo. N?o apenas pelo estado decadente das estruturas, mas pelo que estava impresso nas paredes: a sensa??o de que aquele lugar presenciara algo terrível.

  Samuel deslizou os dedos por uma mesa de metal coberta de poeira. Marcas de m?os ainda estavam ali, como rastros de alguém que hesitara, que segurara a superfície como se buscasse apoio em um momento de desespero.

  Foi ent?o que ele viu.

  Uma fotografia rasgada no ch?o.

  Lentamente, abaixou-se, seus dedos ro?ando contra o ch?o frio. Ele pegou a fotografia e a sensa??o de desconex?o com o presente o envolveu de imediato. Como se a imagem o puxasse para uma realidade distante, quase como se ele estivesse fora de seu corpo, tentando compreender algo que n?o conseguia entender.

  Quando seus olhos pousaram na imagem, ele viu um grupo de cientistas posando lado a lado. Vestiam jalecos marcados pelo tempo, e, embora a foto estivesse corroída, os rostos eram claros. A imagem parecia ter sido tirada há décadas, mas os detalhes ainda estavam vivos o suficiente para contar uma história. Uma história de feitos e falhas. De vidas que se entrela?aram em um momento específico, como se o destino os tivesse juntado para algo grande. Ou trágico.

  P.A. percebeu na mesma hora.

  — Eu me lembro de cada um deles como se fosse hoje... — murmurou. Sua voz, geralmente fria e controlada, carregava um tom diferente, algo entre a nostalgia e o pesar. Um peso nas palavras que ela n?o conseguia esconder.

  Havia algo quebrado ali. Algo que ela mesma n?o sabia se queria lembrar. O ar estava pesado, denso com um lamento que n?o podia ser dito, algo que se escondia nas entrelinhas de sua programa??o. N?o era só uma quest?o de dados. Era pessoal.

  O silêncio se estendeu.

  Ent?o, Samuel apontou para um dos cientistas na borda da foto.

  Seu rosto estava incompleto.

  O peda?o rasgado do papel apagava sua identidade como se o próprio tempo quisesse esquecer aquele homem. Como se alguém tivesse querido eliminar a lembran?a dele de todos os registros possíveis.

  — Quem é esse? — Samuel perguntou, girando a foto entre os dedos, seu tom firme, mas a mente claramente ocupada com a sensa??o de estranheza que surgia à medida que a imagem ganhava mais significados.

  P.A. demorou um instante antes de responder.

  — O professor Lucius...

  Samuel franziu o cenho. Esse nome já havia sido citado por ela antes, mas o fato de seu rosto ter sido removido daquela forma o incomodava. Havia uma tentativa deliberada de apagar sua existência, mas o motivo ainda n?o estava claro.

  — Por que apenas o rosto dele foi cortado?

  Antes que P.A. pudesse responder, um brilho intenso rasgou a escurid?o do laboratório. O que era um simples ambiente deteriorado, agora parecia se distorcer à sua volta.

  Um frio atravessou o peito de Samuel, como se algo tivesse puxado o ar de dentro dele.

  E ent?o... o tempo se dobrou.

  O ambiente ao redor come?ou a se distorcer, as paredes desapareceram como névoa, e o ar se tornou gelado. Samuel sentiu o tempo se torcer, como se o espa?o ao seu redor fosse feito de areia movedi?a, puxando-o para algo desconhecido. Em um piscar de olhos, ele foi arrancado da realidade presente e se viu transportado para uma lembran?a. A lembran?a de algo muito maior do que ele poderia compreender naquele momento. Algo que poderia mudar tudo o que ele pensava saber.

  Uma memória t?o real que ele podia senti-la.

  --- ?? ---

  O corredor era o mesmo, mas agora estava inteiro. As luzes brilhavam com for?a, as estruturas estavam intactas, os cabos presos ao teto como artérias de um organismo vivo, pulsando em um ritmo frenético. O ar estava carregado de tens?o, uma energia quase palpável.

  Um cientista passou apressado por ele, cobrindo o rosto com uma das m?os. Gotas de sangue escorriam pelos dedos, manchando o ch?o branco. Uma cena grotesca, mas comum naquele lugar. O pre?o da ambi??o, talvez.

  Uma mulher correu logo atrás dele.

  Samuel os seguiu em silêncio. Seus passos ecoavam em um vazio crescente. O futuro n?o parecia mais t?o certo quanto antes. E o passado... o passado estava prestes a se revelar.

  Os passos o guiaram até uma sala. Lá dentro, o cientista segurava a borda de uma mesa de metal, suas m?os apertando com for?a o material frio. A tens?o no ambiente era palpável, a sensa??o de que algo estava prestes a acontecer, algo que mudaria tudo.

  — Professor Lucius... — a cientista chamou, hesitante.

  Lucius n?o se virou. Seu corpo estava tenso, os ombros rígidos, como se estivesse lutando contra algo que o consumia por dentro.

  — O que você quer?! — sua voz cortou o ar como uma lamina, carregada de algo que Samuel n?o conseguia definir de imediato. Era uma mistura de raiva, medo e desesperan?a, como se ele tivesse chegado ao limite do que podia suportar.

  — O que aconteceu?

  — Nada. Some daqui!

  — Mas professor...

  — Eu já mandei você ir embora! — Lucius se virou de súbito, e Samuel viu seu rosto.

  Um corte profundo se estendia por sua testa, mas n?o era isso que chamava aten??o. Havia algo em sua pele, marcas que pareciam se mover sob a carne, pulsando com uma energia desconhecida. Samuel n?o conseguia enxergá-las direito—era como se a lembran?a estivesse corrompida, um borr?o distorcido na sua vis?o. Ele podia sentir a dor no ar, como se as marcas n?o fossem apenas físicas, mas algo muito mais profundo, algo que alterava a própria essência do homem.

  Lucius respirava pesadamente. Seus olhos tremiam com algo entre ódio e desespero.

  — Você acha que isso é viver?! — ele gritou. — Eu deveria estar morto! Agora eu sou um monstro!

  A cientista hesitou. A dúvida era visível em seu olhar. Ela o conhecia. Mas o que ele havia se tornado?

  — Você n?o é um monstro, professor...

  — Eu tenho que viver dependendo da droga de uma IA! — Lucius cuspiu as palavras como se fossem veneno. Ele se odiava. A fúria n?o era contra os outros, mas contra o que ele havia se tornado.

  Enquanto falava, o corte em sua testa come?ou a se fechar lentamente. A cicatriza??o era impossível, uma fachada de recupera??o.

  A cientista tentou se aproximar, sua voz agora mais suave:

  — N?o acha que está sendo um pouco rude com a senhorita P.A?

  Ela ergueu a m?o para tocar o ombro dele, mas assim que seus dedos tocaram sua pele.

  Lucius a golpeou no rosto.

  O impacto a jogou no ch?o.

  O silêncio na sala foi ensurdecedor.

  A mulher tremia. Seus olhos estavam arregalados, n?o pela dor, mas pela surpresa. Ele, que sempre fora um homem de ciência e lógica, agora era um espectro de si mesmo.

  — Vo-você n?o era assim... — sussurrou, tocando a própria bochecha avermelhada.

  Lucius permaneceu parado, olhando para suas próprias m?os como se n?o as reconhecesse. Ele n?o sabia mais quem era.

  — Porque eu...

  A cientista se levantou, os olhos marejados. Sem dizer mais nada, correu para fora da sala. Ela sabia que ele estava além da ajuda. Havia algo de irremediável ali.

  Lucius n?o se moveu. Apenas ficou ali, olhando para o vazio, os punhos cerrados ao lado do corpo, como se ele ainda lutasse contra algo interno que n?o podia vencer.

  --- ?? ---

  Samuel piscou.

  O laboratório voltou ao seu estado atual — escuro, arruinado, consumido pelo tempo. O cheiro de ferrugem e umidade pesava no ar, e as sombras pareciam ainda mais profundas após a vis?o que ele acabara de testemunhar. A memória de Lucius, de seu sofrimento, agora estava gravada na mente de Samuel, e ele n?o poderia simplesmente ignorá-la.

  Ele ainda segurava a foto.

  O silêncio pairava entre ele e P.A., carregado de significados n?o ditos. A inteligência artificial, normalmente precisa e objetiva, parecia hesitante, como se pesasse cada palavra antes de soltá-la. Ela sabia que Samuel havia visto algo além do que ela poderia explicar, algo que ultrapassava sua compreens?o.

  Quando ela finalmente iria responder sua pergunta...

  — N?o precisa responder — Samuel a interrompeu.

  P.A. parou, processando as palavras dele.

  — Por quê?

  Samuel abaixou os olhos para a fotografia em suas m?os. O rosto ausente de Lucius, arrancado da imagem, agora fazia mais sentido. Ele ergueu o olhar para P.A., sua express?o permanecendo firme, mas com um tra?o de compreens?o.

  — Eu já sei o que aconteceu.

  P.A. n?o respondeu de imediato. O brilho verde no dispositivo oscilou levemente, como se estivesse ponderando a afirma??o. Ent?o, sua voz ecoou pelo laboratório em um tom mais baixo do que o habitual.

  — Eu só queria salvá-lo... você sabe disso... Mas ele achava que eu o transformei em um monstro.

  O lamento dela era quase humano. Um peso que ela carregava há muito tempo, um arrependimento que transbordava.

  Samuel segurou a foto com mais firmeza por um momento, antes de deixá-la deslizar entre seus dedos.

  — Você n?o fez errado em salvá-lo. N?o era a hora dele.

  P.A. permaneceu em silêncio, e Samuel continuou:

  — Ele sabe que n?o é sua culpa. Mas, como você mesma disse, ele tem medo.

  P.A. demorou alguns segundos para responder.

  — é... você tá certo.

  A fotografia come?ou a se dissolver em suas m?os, como se o próprio tempo a estivesse apagando, reduzindo-a a fragmentos que flutuaram por um instante antes de desaparecerem por completo.

  Samuel n?o se demorou. Ele apenas seguiu em frente, seus passos ecoando pelo laboratório... esquecido. E, com isso, uma certeza surgiu em sua mente: o tempo, por mais que tentasse apagar o passado, n?o conseguiria apagar a miss?o que ainda estava diante dele.

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